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NEOLIBERALISMO PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Dom, 09 de Maio de 2010 07:54

artur_leao.jpg Historicamente falando, o conceito de neoliberalismo exige uma destrinça entre a primeira e a segunda metades do séc. XX, significando, para o primeiro caso, a doutrina emanada de economistas franceses, ingleses e americanos postulando para um Estado regulador e assistencialista os princípios do chamado liberalismo clássico, defensor das liberdades individuais, igualdade perante a lei, direito de propriedade e restrições constitucionais e fiscais aos governos e, para o segundo caso, ideias políticas e económicas de índole capitalista contrariando o imiscuir do Estado na economia, reiterando antes o conceito de livre mercado como garante do crescimento económico e do desenvolvimento social de um país.

Esta corrente de pensamento ideológico começou a espalhar-se na década de 70 do século passado e surgiu como uma solução para superar a crise que assolou a economia mundial em 1973, originada pelo aumento excessivo do preço do petróleo. Abarcou um conjunto de políticas implementadas por governos neoconservadores e propagadas pelo mundo por organizações multilaterais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), políticas essas consubstanciadas em princípios atreitos à mínima participação estatal nos rumos da economia de um país, diminuta intervenção do governo no mercado do trabalho, privatização de empresas estatais, medidas contra o proteccionismo económico, ausência de controlo de preços de produtos e serviços por parte do estado, de forma a que a lei da oferta e da procura procedesse à respectiva regulação, facilidades na entrada de multinacionais no tecido produtivo e livre circulação de captais internacionais, com ênfase no fenómeno da globalização. Margaret Thatcter personificou, no espaço europeu, este “modus faciendi” neoliberal, mas quando se demitiu, abandonada pelo próprio Partido Conservador, em 1990, já os ingleses estavam cansados da sua acção política, que redundou no aumento do desemprego, diminuição da produção industrial, inflação e aumento de impostos, com as classes mais altas a quintuplicarem os seus rendimentos relativamente às classes mais baixas, originando uma drástica desigualdade social.

Com a queda do Muro de Berlim (a partir de 1989), encetou-se na última década do século passado e prolifera no vigente a maior onda liberalizante que, associada ao fenómeno da globalização, haveria de espalhar-se com a ajuda do FMI e dos economistas liberais, ligado à necessidade da dinâmica do capitalismo na absorção de novos mercados para os países centrais ditos desenvolvidos, dada a saturação interna verificada, gerando-se pois uma fase de expansão capitalista a mercados distantes e emergentes, sem necessariamente um investimento alto de capital financeiro, pois a comunicação no chamado mundo globalizado, graças ao desenvolvimento tecnológico propiciador da denominada “aldeia global”, dá azo a tal expansão. Viam pois os entendidos nesta corrente ideológica a panaceia universal para reduzir a pobreza no mundo e acelerar o progresso global.

A verdade porém, é que a implementação destas teorias de índole liberalista, e ao invés do proclamado, não reduziram mas acentuaram as clivagens e desigualdades entre os países, conduzindo a um aumento dramático da pobreza no mundo globalizado da sociedade hodierna em que vivemos, pois a desregulação vigente dos mercados concentrou o poder económico nas mãos de conglomerados ou oligopólios económicos cujo fim é o inexorável lucro, arredado das preocupações sociais ou bem-estar da pessoa humana. 

Obviamente que o nosso país, sem poder ou expressão de peso no contexto mundial e sobretudo dependente dos mercados externos, tanto em matérias-primas e produtos manufacturados como asfixiado pela dívida a terceiros, segue as pisadas dos que vão sendo submergidos pelas ideias neoliberais, as quais se vão mantendo devido aos benefícios que delas colhem os homens que dominam o poder político e financeiro. Por isso, e ao contrário do que apregoam, os responsáveis que dirigem a sociedade e têm responsabilidade acrescida no governo da nação demitem-se de tratar adequadamente os problemas sociais e económicos que exigem discernimento, coragem e conhecimento aprofundado, enveredando antes pela via do “facilitismo”, como o atesta decisões tomadas em problemas candentes ligados, por exemplo, ao aborto, “casamento” homossexual, “disfunções” no âmbito da educação, saúde, justiça, destruição do micro tecido empresarial, ajudas suplementares ao sector bancário, lucros obscenos de gestores de empresas com participação estatal, uniformização do pensamento, promoção descarada do consumismo em detrimento do consumerismo, enfim, uma vasta panóplia de acções que caracterizam aquilo a que outros já apelidaram da “era do vazio”. É que o acatamento das ideias neoliberais, com os seus mitos ligados a ideais capazes de proporcionar o desenvolvimento económico e social mediante uma economia mais competitiva que, através da livre concorrência, faz os preços e a inflação caírem, diminuindo o custo de vida, não faz mais do que estender o papel demissionário do estado no plano da regulação económica às questões sociais de gente de carne e osso que connosco coabita: e isso poderá conduzir-nos ao abismo quando não se tomam as decisões que se impõem, mesmo que desagradáveis, pois o “deixa andar”, sendo mais fácil e popular, acabará por revelar-se, mais cedo ou mais tarde, deveras ilusório, senão mesmo socialmente explosivo.

 

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