ATREVE-TE A MUDAR Imprimir
Sex, 10 de Maio de 2013 04:51

helder_amaral_1.jpg "Lamento que o Partido Socialista não tenha aprendido com o passado" 

“Atreve-te a mudar” é o desafio que a candidata do CDS à CM de Santa Comba Dão tem feito. A Professora Manuela Alves é atualmente vereadora pelo PSD, e, entre outras qualidades, ficou conhecida por votar contra o orçamento e por negado sempre participar numa gestão e num modelo de obra pública e de infraestrutura de utilidade duvidosa.

Fiquei também impressionado pela sua coragem: sem estrutura e quase só acompanhada pelas suas convicções, quer enfrentar uma batalha eleitoral contra a lógica do “favor” e do “medo”, que existe em quase todos os concelhos do nosso distrito. Mas não é de Santa Comba que vos quero falar nem tão pouco diabolizar o poder local, que foi vital para a consolidação da democracia e para o desenvolvimento do país a níveis nunca vistos, em locais onde faltava quase tudo - saneamento básico, atividade cultural, desportiva, reabilitação urbana, etc.

O problema é que 38 anos depois do 25 de Abril, é já tempo de parar com o modelo despesista, que pensa mais nas eleições do que nas contas públicas e amarra as populações a redes de interesses, compadrios e caciquismo, num clima de favor e medo.

Sem uma nova geração de autarcas e de políticas, sem um eleitorado que se atreva a mudar, o país pode estar condenado, e no final quem paga é a democracia e o contribuinte. O peso insuportável da dívida pública tem entrado em casa de cada português na forma de impostos. Essa dívida pública tem origem num modelo de desenvolvimento insustentável, assente em gastar dinheiro que não temos, que pedimos e que não conseguimos pagar, pela simples razão que muito desse investimento não resultou em crescimento económico.

A dívida pública portuguesa, na ótica de Maastricht (ou seja, o resultado da dívida consolidada das administrações públicas, excluídos os créditos comerciais), está desde 2004 acima do limite do Tratado, e ninguém se atreveu a mudar ou a parar. Antes se optou por mais e mais obra pública, a pensar apenas nas eleições, e não nas novas gerações.

Em 1984, o primeiro-ministro, Dr. Mário Soares, afirmava que “Portugal habituou-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”. Foram tempos difíceis, tal como agora. No dizer do então primeiro-ministro socialista, a solução era simples: “os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto”. Lamento que o Partido Socialista nada tenha aprendido com o passado: aplicou a mesma receita nos governos de Sócrates, conduzindo o país à pré-bancarrota.

Convém lembrar que faz agora dois anos que assistimos todos à capitulação do modelo socialista de governo e à vinda da Troika, e com ela do “apertar do cinto”. Nada será como antes. Os partidos do governo e o PS assinaram o tratado orçamental que nos obriga a assegurar que o défice orçamental não exceda 3% do produto interno bruto a preços de mercado, e que a dívida pública não exceda 60% do produto interno bruto a preços de mercado. Quem não cumprir estas disposições poderá sofrer sanções pecuniárias, até 0,1% do PIB, impostas pelo Tribunal Europeu de Justiça.

Mas a verdadeira mudança está na mão do eleitorado, a começar já nas próximas eleições autárquicas. A escolha não deve assentar em modelos que já provaram não resultar. Por isso, atrevam-se a mudar.