UM ABRAÇO SECULAR QUE UNE QUATRO FREGUESIAS Imprimir
Escrito por Zé Beirão   
Sáb, 16 de Maio de 2015 10:16

É linda a Festa das Cruzes no Guardão

DSC 0085 HISTÓRICO A multi-secular Festa das Cruzes, na vasta freguesia do Guardão, ancorada no amistoso “abraço das cruzes”, em plena Serra do Caramulo, é o mais genuíno acontecimento cristão, que envolve quatro freguesias e nasceu há 326 anos, fruto de uma promessa de acção de graças, renovada em Quinta-Feira da Ascensão, como aconteceu este ano de 2015.

DSC 0091Manager File Suffix O tempo cinzento, mas com boas abertas, por vezes mesclado de uma suave chuva miudinha, não esmoreceu os ânimos dos fiéis e romeiros que, um pouco de todo o concelho e do distrito, participaram nas celebrações, com destaque para o célebre abraço das cruzes das quatro freguesias envolvidas, nomeadamente, Guardão, Castelões, Santa Eulália e Santiago.

DSC 0092Manager File Suffix A Eucaristia foi celebrada pelo pároco do Guardão, padre António Duarte, acolitado pelos párocos daquelas freguesias, acompanhada pelo grupo coral do Caramulo, tendo participado na procissão, a Banda Filarmónica de Moçâmedes, do concelho de Vouzela.

DSC 0078 No recinto de festas, não faltaram, como sempre, as barracas de bebidas e petiscos, com frango de churrasco, especialmente, acompanhado de batata à racha e o bom néctar do Dão, funcionando, ainda, a habitual feira, onde se vende de tudo um pouco.

A lenda, a tradição e a história da Festa das Cruzes

DSC 0098 As invasões muçulmanas, em 711 (Século VIII), criaram um estado de guerra no território serrano do que é hoje o concelho de Tondela, que já estava cristianizado e se prolongou até à Reconquista Cristã definitiva. Os povos da serra, nesse período, embora submetidos ao domínio do invasor, mantiveram as suas próprias leis e costumes, resistindo à islamização.

DSC 0096Manager File Suffix O Guardão ficou especialmente ligado à história desta época por se situar numa das zonas fronteiriças das lutas entre árabes e cristãos, havendo notícia da existência de um castro, onde se situa a actual capela de S. Bartolomeu.

Como refere frei Agostinho de Santa Maria, no “Santuário Mariano”, T.V., pág.374, citado pelo Doutor Amadeu Ferraz de Carvalho em “A Terra de Besteiros e o actual concelho de Tondela” (1945), “ser tradição antiga e constante que em um dia da Ascensão do Senhor, os moradores das quatro freguesias, Guardão, Santiago, Santa Eulália e Castelões, tomaram aos mouros uma fortaleza (que tinham onde hoje se vê a ermida de S. Bartolomeu) e, em acção de graças, se deu princípio àquelas procissões”.

DSC 0094 Juntavam-se as freguesias do vale, no adro da capela, de onde se descobria a Igreja de Castelões, dedicada ao Salvador e depois repetiam três vezes: “Salvator mundi miserere nobis”, iam caminhando as procissões para a Igreja do Guardão, cada uma segundo a sua antiguidade e, chegando a um pequeno ribeiro (ribeiro de Castelões) que demarca o adro, saía a Cruz da Paróquia a receber cada uma das procissões e a cada uma das cruzes fazia uma saudação e como que se abraçavam, como diz o “Santuário Mariano”.

Feita esta cerimónia, “iam-se todas recolhendo para a igreja. Nesse dia toda a gente daquelas quatro freguesias fazia grande festa com salvas de tiros e, com muitos instrumentos, músicas e cantares”, o que ainda hoje acontece, à excepção dos “tiros”, que podem causar fogos.