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Escrito por Zé Beirão   
Seg, 30 de Junho de 2014 23:14

BRAGA O outro lado do Horizonte faz luz sobre a reintegrao dos refugiados do Ultramar

jose_antonio_de_jesus_e_antonio_coimbra.jpg Tonito do Pao, ou melhor, Antnio Coimbra, natural de Molelos, escreveu e lanou o seu segundo livro, um romance que, mais uma vez, aborda a questo da descolonizao exemplar, dos territrios portugueses de frica, feita pelos polticos de Lisboa e da consequente tragdia causada a milhares de pessoas que, em Portugal, tiveram de refazer a sua vida, nem sempre com facilidades.

idalio_jose_dias_jose_antonio_antonio_coimbra_horacio_rodrigues.jpg Antnio Coimbra escolheu as festas de S. Pedro para fazer esse lanamento da obra, nas instalaes da SMIR Sociedade Musical de Instruo e Recreio de Molelos, na tardinha de 27 de Junho, contando com a presena do presidente da Cmara Municipal de Tondela, Jos Antnio de Jesus, do representante da Assembleia Municipal, Srgio Rodrigues, presidente da Junta de Freguesia de Molelos, Jos Dias, proco da freguesia, padre Amrico Duarte, ex-presidente da Junta, Horcio Rodrigues, o presidente da SMIR, Idlio Matos, entre outros autarcas, familiares, convidados e amigos.

belo_conjunto_na_smir.jpg Finda a cerimnia, foi servido um jantar-convvio, confeccionado na SMIR, que serviu para estreitar laos de amizade entre o autor e os presentes, enquanto que, no recinto de festas, acontecia uma sardinhada grtis, a qual foi degustada por muitos populares, aos quais nada mais foi exigido do que, assa assar_a_sardinha.jpg rem eles, as sardinhas que iriam comer, nos assadores colocados sua disposio.

Jos Dias comeou por dizer que era um orgulho para Molelos ter ali o autor a fazer o lanamento do seu livro, depois do sucesso do livro anterior, esperando que, de igual modo, este tenho o mesmo sucesso, lanamento esse feito num local que muito lhe diz, por estar muito ligado sua terra que, embora longe dela, esteve sempre em contacto com ela.

JOS ANTNIO DE JESUS:

H sempre uma oportunidade se ns confiarmos nas nossas capacidades

jose_antonio_e_antonio_coimbra_2.jpg Jos Antnio de Jesus, salientou a cerimnia naquele dia importante para a freguesia de Molelos, dia do seu padroeiro nas instalaes da SMIR, uma grande associao do concelho, na formao de muitos daqueles que hoje so msicos, que por ali passaram no tempo do saudoso Duquee que marcou muitos ao longo dos tempos.

De Antnio Coimbra, disse que foi algum que noutros tempos, partiu para o Ultramar, como muitos outros e, nesta obra, veio retratar todo o sofrimento, mas tambm o novo tempo de adaptao daqueles que vieram no quadro de um processo de descolonizao, tiveram que reconstruir o seu mundo, refundar a sua identidade, num espao que era seu, cujo vnculo tinham perdido.

 A histria saber, um dia valorizar todo o contributo dos autores da construo desta epopeia, no espao africano, que tiveram esta ligao, to ntima a Portugal, valorizando a forma como o nosso pas foi to capaz de acolher estas pessoas, irmos nossos que tinham estado noutras paragens e que foram capazes de reconstruir, de refazer a sua vida e hoje, como o caso de Antnio Coimbra, que se reintegraram com sucesso profissional e que so referncias para todos ns, enfatizou.

Deste modo, disse que o Municpio se associou a esta publicao, com a aquisio de 300 exemplares, reconhecendo a tenacidade, a fora, a persistncia, o trabalho e o empenho de que quem acredita na vida, capaz de vencer, sustentou.

Eu acho que essa a grande lio que ns precisamos nos dias de hoje, saber que, perante as dificuldades, perante aquilo que nos parece ser um precipcio inultrapassvel, h sempre uma oportunidade, se ns confiarmos nas nossas capacidades e se formos capazes, com a nossa fora, com a nossa energia, de nos apoiarmos na humildade, para podermos vencer os obstculos, concluiu.

Terminou Antnio Coimbra, agradecendo a presena de todos, a quem deu a conhecer o seu percurso literrio, sem deixar de agradecer o apoio da Cmara Municipal e da SMIR, agora com um timoneiro muito especial.

assistencia_lancamento_livro_antonio_coimbra.jpg O triunfo do trabalho, da luta e da persistncia

O autor falou do gosto que tem pela escrita, que vem j de muito longe, sentindo-se mais propenso a esse trabalho, bem cedo, levantando-se da cama sempre com novas ideias para os seus trabalhos, que iam publicando na imprensa e, com a sua aposentao, iria dedicar-se a escrever livros, o primeiro dos quais, sobre a descolonizao, lanado em 2011 ANGOLA O horizonte perdido.

Disse ele que nunca ps em causa a descolonizao, mas a forma como ela foi feita, sendo tudo, menos exemplar. E, uma vez escrito esse livro, o actual era inevitvel que aparecesse, que era o retrato daqueles que eram, pejorativamente, chamados de retornados quando, na verdade, fugindo de uma guerra, no eram mais do que refugiados. Ele, que sempre teve repulsa pela palavra retornado, teve de lutar contra muitas dificuldades que certas mentalidades tacanhas lhe impuseram.

autor_em_sessao_de_autografos.jpg O autor confessou que foi para Angola pobre e regressou materialmente pobre, mas que trazia uma couraa do que era a vida, do que era poder triunfar na vida, como conseguiu, custa de muito trabalho, de muita luta, no meio de um clima terrvel.

No terrvel vero de 1975 em que o pas esteve beirinha de uma guerra civil, ns ramos apontados como a causa de todos os males do pas, e por isso, fomos excludos, lamenta Antnio Coimbra, mas com persistncia, como disse, soube triunfar de todas as adversidades enfrentadas.