ZÉ BEIRÃO – UMA CIDADE SEMPRE MAIS DIGNA !

UMA CIDADE SEMPRE MAIS DIGNA !

Na última edição do jornal “Folha de Tondela”, onde já colaboro há cerca de 60 anos, eu escrevia que Tondela, a cidade de todos nós, exigia mais respeito, pelo facto de continuar viva a sua iniciativa privada, que a catapulta para novos patamares de progresso, que deverá ser acarinhada e secundada pelas autarquias locais.

Isto, porque fazer avenidas bem dimensionadas, praças e logradouros com beleza e encanto, dotando-a, sempre, com um cada vez mais moderno mobiliário urbano, não compete à iniciativa privada, mas sim aos poderes públicos, nomeadamente, os municípios e o poder central.

Gaveto da Rua principal com a rua Dr. José Homem Correia Telles

Tondela alarga horizontes, edifica novos edifícios para habitação, comércio e serviços e, dessa forma, cria espaço para a fixação de pessoas que, de outras aldeias e de outros concelhos, quiçá, do próprio país e até do estrangeiro, aqui encontram um bom acolhimento, para habitar e trabalhar e organismos públicos de proximidade, como escolas, creches, centros de emprego e formação, segurança social, estruturas de saúde, forças de segurança, bibliotecas, museus, pavilhões gimnodesportivos, parques urbanos, piscinas, estádios de futebol e rugby, associações desportivas e culturais e até uma companhia profissional de teatro. Nem órgãos da comunicação social lhe faltam, em suporte de papel, digital e rádio.

A cidade, com cada vez mais habitantes, requer um cada vez mais aturado olhar de quem dirige os destinos do município e, para além de todos os pressupostos de novos estádios de desenvolvimento urbano, onde se inclui, naturalmente, a salvação de um rio que mais parece um riacho, seco, por falta de um competente açude, infestado de matagais e de árvores de grande porte, em que se tornaram os amieiros que, livremente, sempre cresceram no seu leito, outrora caudaloso, porque foi mais respeitado no passado.

A poluição ataca...

O rio era animado pelas gentes do burgo, nas várias praias do Meal, Fraga, Ponte, Levada Nova e Pego, para gáudio dos amantes da natação e da pesca. Hoje, um rio destruído, conspurcado com estercos, usado em proveito próprio, em detrimento do proveito dos tondelenses. Havia moinhos de farinar, lagares de azeite tocados por noras e locais de veraneio, onde o rapazio passava os seus tempos livres, muitas vezes sob os olhares das suas progenitoras que ali lavavam as suas roupas e da criadagem que, nesse sector, servia os senhores da antiga vila.

São locais de muita história dos tondelenses que merecem ser respeitados e que, actualmente, na triste condição de abandonados, não dignificam uma cidade que se quer sempre mais bonita e atraente em todos os seus sítios.

Neste pressuposto, é mister que as obras programadas para a requalificação da “Frente Ribeirinha” do Dinha, não sejam proteladas por mais tempo, sob pena de vermos um rio que, no passado, era cheio de vida, agora transformado numa autêntica cloaca, onde o arvoredo cresce, cresce, sem parar. Ao menos e, para já, que se ponha fim à floresta.

O rio Dinha é uma “floresta”…
Ligação Escolas – Carvalha, para quando ?

Noutros aspectos, Tondela é credora da melhor atenção em relação ao estado do pavimento de muitas ruas, muito degradado em muitíssimos locais, que se substituam os candeeiros partidos, meses a fio e endireitados outros que, com os tombos, ficaram tortos, que se requalifiquem alguns caminhos, caso da Rua que, em frente à Escola Secundária, segue para a Carvalha ao lado de um ribeirito, que deverá ser emanilhado e da Rua Viscondessa de Tondela, no Alto do Pendão, sem esquecer a colocação de lombas em vários locais da cidade, sem esquecer a Rua Frei Bernardo Castelo Branco.

E, claro, repor a iluminação pública onde foi cortada, caso, por exemplo, do nó para o Carregal do Sal, com locais na mais completa penumbra. Um outro caso que se arrasta há meses, são duas luminárias avariadas na Rua Frei Bernardo Castelo Branco, em frente à casa do sr. José Octávio, local onde moram um nonagenário e uma octogenária.

Uma palavra final, para o passamento de dois amigos. O Mário, irmão do padre António Zé de Figueiredo Marques e do próprio padre Manuel António da Rocha Fontes Santos, mais conhecido pelo padre Rocha, dos Missionários Claretianos que, em boa hora, vieram para Tondela. Estávamos no ano de 1990. Foram eles que procederam ao restauro não só da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, a “jóia da coroa” da cidade, mas também das igrejas de Tonda e de Lobão.

O Mário prestou um bom serviço em muitas colectividades da nossa cidade que, como o padre Rocha, merecem o respeito de todos os tondelenses, que os lembra com imensas saudades.

NOTA: Na foto, o padre Rocha, com o Bispo de Viseu, também já falecido, na Redacção do “Beirão Online” há poucos anos...