TRAGÉDIAS HUMANAS – a culpa morre sempre solteira

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Mais uma tragédia aconteceu neste “cantinho da Europa à beira-mar plantado” e, como sempre, as vítimas é que são as culpadas, pois estavam na hora e no lugar errados.

Foi assim com tantas tragédias registadas já neste país e a última teria sido nos incêndios de Pedrógão e no centro das Beiras, em 2017, com mais de 100 mortos e feridos, para além da destruição do património ambiental e edificado.

Na ponte de Entre-os-Rios, em 2001, em Castelo de Paiva, houve um Ministro da Administração Interna que se demitiu e, noutros casos, tem sido muito difícil aparecerem os culpados a dar a cara e demitirem-se das suas funções, já que, no fundo, são os responsáveis morais, quando, na verdade, não existem os devidos cuidados com o património que a todos pertence.

A recente tragédia de Borba, ocorrida nesta segunda-feira, dia 19 de Novembro, diz-nos que uma estrada nacional, tornada regional ou camarária, desabou junto a umas pedreiras de mármore desactivadas e, da queda de uma viatura que ali transitava na altura, morreram duas pessoas e algumas outras desparecidas.

É claro que tudo poderia ser evitado, se a estrada tivesse sido cortada nas proximidades das pedreiras com trincheiras, antecedidas de sinalética adequada. A estrada foi passada para a alçada do Município de Borba, depois que foi construída uma nova estrada de ligação a Vila Viçosa, sem as necessárias contrapartidas em requalificação e manutenção.

Que foi que apareceu primeiro? a estrada ou as pedreiras?

Desta tragédia podem tirar-se algumas conclusões. Que apareceu primeiro? A estrada ou as pedreiras? Se foi a estrada, as pedreiras não deveriam ser licenciadas, mas, se foram as pedreiras, a via não deveria ter sido ali construída. Se repararem bem nas fotografias que nos chegam, pode ver-se bem que as pedreiras foram exploradas mesmo até à estrada e ali ficaram as ratoeiras, sem que alguém responsável mandasse cortar a estrada naquele local.

Nesta conformidade, sendo a estrada do Município, a responsabilidade deveria ser assumida pelo seu presidente, mas não o foi e, em vez disso, reage às perguntas e diz estar de “consciência tranquila”.

Mais uma vez, neste país, a culpa morre solteira…

ZÉ BEIRÃO

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