4 DE DEZEMBRO DE 1980 – DIA E ANO EM QUE MATARAM SÁ CARNEIRO

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DR. SÁ CARNEIRO, desenho de Zé Beirão

Completam-se, hoje, dia 4 de Dezembro de 2021, nada menos de 41 anos sobre o atentado de Camarate, que vitimou o Dr. Francisco de Sá Carneiro, 1.º Ministro de Portugal.

Sá Carneiro, fundador do PPD/PSD, viajava no célebre avião Cessna, partindo do aeroporto de Lisboa, para o Porto, onde iria assistir ao comício do candidato a Presidente da República, Soares Carneiro. Com ele, viajavam o Eng.º Adelino Amaro da Costa, fundador do CDS, a companheira do estadista, Snu Abecassis, Patrício Gouveia, os pilotos e outros malogrados portugueses.

Uma bomba, colocada junto à zona dos pés do piloto, explodiu logo depois do levantamento de voo e o fumo intoxicou todos os ocupantes, caindo a aeronave numas casas no bairro de Camarate. Com o explodir da bomba, o avião foi perdendo peças pelo caminho até à queda.

Numa primeira abordagem aos corpos carbonizados, chegou-se à conclusão de que não havia fracturas ósseas, o que leva a concluir, sem margem de erro, que as pessoas morreram intoxicadas e já iam sem vida quando o avião embate nos telhados de Camarate. Sá Carneiro e Snu ficaram abraçados. Se chegassem com vida ao solo, por certo que haveria de haver imensas fracturas nos corpos.

Não houve o menor interesse das autoridades em resguardar as provas do crime, pois a populaça, curiosa, invadiu o local, comprometendo outros indícios do atentado. Os chicos-espertos, apareceram logo a defender a tese de acidente e ainda hoje, à distância de mais de quatro décadas, continuam, tantos ingénuos, a dizer e a escrever em pasquins e blogs maldosos, de que se tratou de um “acidente”.

Perdoai-lhes, Pai, que não sabem o que dizem…

Nessa hora fatídica, no início da madrugada de 4 de Dezembro de 1980, acabaram de assassinar, fria e sanguinolentamente, um 1.º Ministro e um Ministro da Defesa Nacional. Não foram indicados os culpados. As investigações das comissões de inquérito, encarregadas de deslindar o sucedido, mesmo que fossem passados 10, 15 ou 20 anos, nunca chegaram a um veredicto que levasse à descoberta do, ou dos autores, do hediondo massacre.

Se fosse hoje, este crime horrível ficaria sem castigo? Creio que não.    

Neste dia negro para a história da democracia portuguesa, lembro um verdadeiro mártir, um grande português e Homem de Estado, que foi Francisco de Sá Carneiro.

ZÉ BEIRÃO (*)

(*) Jornalista