RECUPERAÇÃO DA FRENTE RIBEIRINHA: SERÁ DESTA ?

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Descargas de efluentes matam o rio...

A Câmara Municipal de Tondela assinou, no dia 28 de Abril,  o auto de consignação para a empreitada de recuperação da Frente Ribeirinha do Rio Dinha.

A assinatura decorreu ao início da tarde, no salão nobre da Câmara Municipal de Tondela, contando com a presença do presidente do Município, José António de Jesus, do director do Departamento do Planeamento, Urbanismo e Edifícios, Ernesto Pereira e ainda Laura Jorge, em representação da Socorpena e Marcelo Silva, em representação da Floponor.

A obra prevê a requalificação e valorização ambiental e paisagística do ecossistema ribeirinho do Rio Dinha, na cidade de Tondela.

Para além de se pretender a recuperação, integração e valorização do património e actividades de recreio, visa-se também a dotação de melhores condições de

 conforto e segurança para este espaço público, bem como o aumento das relações funcionais e recreativas entre o centro da cidade e a zona ribeirinha do Rio Dinha, através da continuidade do circuito pedonal/ciclável.

O investimento ultrapassa os 1,2 milhões de euros, contando com uma comparticipação de mais de 900 mil euros.

Trata-se de um projecto complexo, que já vem de 2015 quando foi anunciado na FICTON, que obrigou à aquisição de diversas parcelas e ainda a pareceres de entidades externas, que tutelam o domínio hídrico, e que acabaram por ser demorados por força do quadro pandémico vivido.

Recorde-se que o lançamento do concurso público para esta obra ocorreu em Junho do ano passado, tendo sido sujeito a visto do Tribunal de Contas. 

  • JUNTAR O AGRADÁVEL AO ÚTIL !! Esta obra, que peca por tardia, pois já se anda a pedir a requalificação do rio ainda não existiam piscinas no concelho, deverá, na nossa opinião, dispor do maior número de “adereços” possível, para que se torne num espaço polivalente, para além da sua natural atractividade, sempre oferecida por uma linha de água despoluída, onde tomar banho não constitua qualquer perigo para a saúde.

E aqui, respondendo às queixas da população, urge sinalizar os focos de poluição do rio a montante, com descargas de efluentes, que conspurcam as águas e matam toda a fauna que, eventualmente, ainda possa existir depois de tantos ataques, documentados por fotografias e que levaram já, o Município a apresentar queixa nas entidades competentes, que já deveriam estar no terreno a penalizar, severamente, os prevaricadores.

Para já, um competente açude deverá represar o precioso líquido, através de um paredão e comporta reguladora do trânsito fluvial, para que, em tempos de seca, a água não falte e que permita a navegação por pequenas “gaivotas”, como se vê noutras praias fluviais da região. Açude, aliás, a servir de local de abastecimento de viaturas dos bombeiros em tempo de fogos florestais e, se possível, também helicópteros.

Depois, que se construa uma enseada com areia, mesmo que seja artificial e uma zona de saltos e mergulhos, sem esquecer vestiários, casas de banho com chuveiros, certamente a pagar, zona de lazer com bancos e espreguiçadeiras, relvado para jogos, como, por exemplo, voleibol e mini-golfe, árvores próprias de uma frente ribeirinha.

Deverá, ter ainda, lugares de aparcamento de viaturas e de bicicletas e uma zona de churrascos, com um possível bar, a explorar pela autarquia ou por concessão, tudo isto com pessoal de segurança, de manutenção e vigilância.

Não concebemos uma frente ribeirinha sem todos estes atractivos e serviços. Não os tendo, será um arremedo de a uma verdadeira praia fluvial e esta que vai ter ligação à zona pedonal e ciclável, ainda mais os justifica.

ZÉ BEIRÃO