FERNANDO RUAS FAZ “GUERRA” A TONDELA

Por tudo aquilo que se sabe acerca do nega do actual Primeiro-Ministro, José Sócrates, à criação da Faculdade de Medicina e da Universidade Pública, com todo o rosário de promessas em campanhas eleitorais e nunca cumpridas, deverei dar mais uma modesta achega, embora eu não seja a pessoa mais capaz para o fazer e, neste transe, referir que os deputados, a escrever para “O Beirão online” – Almeida Henriques (PSD) e Hélder Amaral (CDS) – estão atentos quanto a esta problemática.

Os artigos em causa, inseridos neste jornal, são de sua exclusiva responsabilidade, porque são de deputados considerados neste Distrito e poderão receber comentários de quem quer que seja, uma vez que este espaço é de diálogo, de debate, de democracia e de ar puro.

Posto isto, para além do que eu já disse a Almeida Henriques, ao colocar “ponto final” no tratamento jornalístico ao requerimento apresentado sobre a Universidade, que pode ser visto noutro local, pois há que penalizar o “cavaquistão” pela aljava socialista, sempre com muita dificuldade em impor a sua hegemonia à região de Viseu, vou lembrar o que se passou com o Governo Guterres há, precisamente, 11 anos.

Há 11 anos, em 3 de Dezembro de 1998, produzi um artigo de opinião, no “Jornal de Tondela”, na rubrica “Zé Beirão”, assim intitulado: “VISEU: Prémio de consolação?”

Isto porque o Eng.º António Guterres, com o nega da Universidade, dava mais uma machadada nas aspirações, legítimas, de Viseu, em ter a sua Universidade e, por acréscimo, uma Faculdade de Medicina. Então, eu escrevi assim:

Muito se há-de dizer e escrever, sobre as negas do actual Governo Guterres, à instalação da Faculdade de Medicina em Viseu, digna e robusta capital de um vasto e portentoso Distrito que merece mais e melhor, quando, na verdade, o futuro 1.º Ministro, em campanha eleitoral, teria prometido dotá-la com a Universidade pública que, estranhamente, não tem.

E pasmo, quando, em vez de uma, como era propalado, foram criadas duas faculdades em cidades que já tinham Universidade pública, uma delas nem sendo capital de Distrito.

O pasmo continua quando o 1.º Ministro vem “ameaçar” (e se ameaça, quer acabar com o resto que de Viseu fica) dizendo que não vão ser criadas mais universidades em Portugal, como que seja ele o único e supremo condutor da política de desenvolvimento do país.

Guterres quer, desta forma, acabar com as legítimas esperanças de Viseu em conseguir uma Universidade pública, que há muito vem justificando, numa falha só atenuada pela existência do Instituto Politécnico e do pólo da Universidade Católica, ambos instituições privadas.

E, desta forma, aos jovens da região deste imenso planalto beirão, não são dadas as mesmas oportunidades que são dadas aos distritos que dispõem do ensino superior público.

Estou à vontade para falar, pois já critiquei o Governo Cavaco por, durante 10 anos, não ter feito justiça a Viseu, fazendo passar ao seu lado, as universidades.

Podem vir Junqueiros e outros prosélitos deste Governo no Distrito a defender que tudo farão para que Viseu tenha a Universidade pública, que nada muda em relação a Guterres, quando corta o “mal pela raiz”, fincando os pés à parede e asseverar que não há mais universidades para ninguém.

Se o “loby” VISEU fosse mais forte do que os outros, os viseenses não estariam hoje a carpir mágoas. Outras carpirão aqueles que sustentam o Governo, mas não se demitem das suas funções em sinal de protesto.

É sem dúvida, a machadada fatal de um Governo que muito fala em justiça social, descentralização, solidariedade, desenvolvimento do interior”.

Eu escrevi depois que tinha sido feita dias antes uma manifestação de muitas dezenas de milhar de pessoas na Cidade de Viriato com a bandeira do Município a meia haste em sinal de luto pela perda da Faculdade e que, mesmo sem a autorização do Governo Civil, milhares de estudantes com as escolas fechadas e vestidos de preto, manifestaram-se ruidosamente junto do representante do Poder Central, por meio de um cortejo fúnebre, como forma de protesto e contestação da ida da Faculdade de Medicina para a Covilhã.

Nessa altura, eu disse que o Governo teria ficado de lado dos estudantes, embora esse facto de nada lhes valesse, porque a sorte estava traçada por Guterres, que não queria ver no país mais universidades, quando ontem, na oposição, queria dar tudo a todos.

O Governador Civil, se calhar, num papel bem difícil, reiteraria que tal manifestação tinha “pelo menos 10 anos de atraso” e sossegou os espíritos inquietos dos estudantes, afirmando que Viseu iria ter ensino universitário público, admitindo que tal desiderato poderia ser concretizado através de um pólo de uma Universidade já existente.

Sem direito a uma Universidade pública de corpo inteiro, por justiça e por direito, eu disse que Viseu iria ter de se contentar, talvez, com um pólo de uma ou de outra Cidade, inclusivamente da Covilhã.

E rematava: “a terminação ou o prémio de consolação” e a promessa de António Guterres em campanha eleitoral em 1995, que se lixasse. “Será que Viseu, algum dia, vai esquecer esta maldade?”.

Pois os anos passaram e os governos socialistas nunca cumpriram a promessa e, com a criação de novas Faculdades de Medicina, elas passaram-lhe sempre ao largo… depois da Covilhã, foram para o Algarve e para Aveiro.

Como teria feito Guterres, também Sócrates, chegado ao Governo, depois de tantas promessas em campanha, fez manguitos a Viseu. E, se não lhe dão uma Universidade pública, muito menos lhe darão uma Faculdade de Medicina.

Sem deixar de criticar a falta de força que Viseu demonstrou ter nos 10 anos de governação de Cavaco Silva, parecendo não haver ambições da capital do Distrito, dizer, com veemência: que mal tem feito Viseu aos governantes de Portugal?

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