MILHARES DE PESSOAS NA QUEIMA E REBENTAMENTO DO JUDAS

????????????????????????????????????
tempo de leitura: 4 minutos

MAIS DE 7.000 PESSOAS PARA VER O REBENTAMENTO DO JUDAS

O Judas foi queimado e rebentou na noite de Sábado Maior, no dia 8 de Abril de 2023, perante muitos milhares de pessoas, talvez seis ou sete mil, vindas de todo o concelho de Tondela e de outros pontos da região.

Os espectadores, que não cabem todos nas bancadas amovíveis, espalham-se pelo chão da arena onde tudo acontece e em toda a volta do recinto e o mesmo acontece com os automóveis, que enchem todos os espaços disponíveis das ruas e avenidas envolventes, em cerca de um quilómetro de diâmetro.

Deste modo, com a contribuição de 323 figurantes que, durante algum tempo, frequentaram a “Oficina da Queima”, as bombas, o fogo preso e de artifício, do “Jandana”, a ACERT assinou mais um grandioso espectáculo, fazendo de Tondela um autêntico “tribunal de inquisição” de uma figura sinistra e odiada, que personifica todos os males do mundo.

TRADIÇÃO CENTENÁRIA

Tudo recomeçou com o Trigo Limpo teatro ACERT, em 1985, 60 depois da primeira queima do Judas ter o nascimento numa oficina de sapateiro, em Tondela, com o Joaquim Ricardo e seus empregados – José de Lemos, António Antunes do Vale (Sapo), António dos Santos (Marrujeiro), Anselmo Gouveia (Pescadinha), António dos Santos (Mirau) e António Albuquerque – aqueles que ajudavam o célebre “Batatinha” na confecção do boneco, que haveria de explodir, para gáudio dos tondelenses, já desde os anos 20 do século passado.

O “Batatinha”, anos mais tarde, adoeceu e a tradição esmoreceu, mas António do Carmo de Figueiredo (Mau-Mau) deu-lhe continuidade, seguindo-se José Coimbra (Seco), António de Matos, João Marques e António Borges Henriques (Sopila). E, por aqui, tudo levava a crer que a tradição teria o seu fim anunciado.

Valeu, em boa hora, a iniciativa da ACERT, em dar continuidade ao projecto, não deixando morrer a tradição da Queima e Rebentamento do Judas. Com a ACERT, tudo melhorou, introduzindo a componente cénica, musical e técnica, tornando-a mais espectacular.

O espaço próprio para a realização de um evento desta natureza, ainda não foi encontrado, pelo que, até chegar às envolvências do Pavilhão Desportivo Municipal, o espectáculo já passou pelo recinto da Escola C+S de Tondela, recinto da feira semanal e campo do Escola Futebol Clube de Molelinhos.

“NÃO NOS RESPEITAS, VAIS REBENTAR”

Os temas das acusações para 2023, prenderam-se com os horrores da Guerra na Ucrânia, os exilados, a inflação e corrupção e a luta desigual entre os poderosos e os mais desfavorecidos.

Para a edição 28.ª da ACERT, o libelo acusatório teve como mote “JUDAS, se não nos consegues respeitar, vais rebentar”. E, com efeito, depois de muitos diálogos, danças e cantares, finalmente os bonecos, neste caso, um rato e um gato gigantes, começam a rebentar, ficando reduzidos em fanicos, através de poderosos petardos, altura em que sobe ao ar, grande quantidade de fogo-de- artifício, que deslumbra, pelos céus de Tondela, à mistura com o fogo preso, onde sobressai o saber e a arte do mestre Lopes Ribeiro, o Jandana, de Lajeosa do Dão.

A ACERT está, pois, de parabéns, por mais esta soberba realização de um espectáculo que prende e encanta os tondelenses em geral, funcionando como uma autêntica festa, com bebidas e barracas de farturas no local.

ZÉ BEIRÃO