TONDELA – UMA CIDADE COM PATRIMÓNIO CULTURAL

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Soenga em Molelos por dois dias !!

Pelo oitavo ano consecutivo, decorreu no último fim de semana (16 e 17 de maio), em Molelos, freguesia da cidade, mais uma Soenga, um evento promovido pelo Município de Tondela, com o apoio da Junta de Freguesia local, com o objectivo de recuperar o processo artesanal de cozedura da Louça Preta, o que se saldou por um novo êxito..

A iniciativa levou até ao Parque das Raposeiras largas centenas de pessoas, atraídas não apenas por esta tradição, mas, também, pelo programa cultural que acompanhou o evento.

A Soenga começou a ser preparada na tarde de sábado pelos sete oleiros e a desenforna das cerca de 200 peças, que foram cozidas de forma ancestral, debaixo de terra, numa cova pouco profunda, ocorreu 24 horas depois para surpresa e gáudio de todos aqueles que se amontoaram junto à pilha de louça, agora, negra, tendo os oleiros recebido um forte aplauso do público presente assim que a desenforma acabou.

Muitas destas peças resultantes da Soenga foram imediatamente compradas pelos espectadores presentes, que fizeram questão de levar para casa uma recordação do momento que acabaram por presenciar.

Além dos habitantes de Molelos e do concelho, deslocaram-se às Raposeiras muitos turistas de fora e até estrangeiros.

A presidente da Câmara, Carla Antunes Borges e os vereadores Jorge Soares, Helena Rodrigues, Francisco Fonseca, Miguel Torres e Fernando Sousa marcaram presença no evento, acompanhando os vários momentos do mesmo.

O Município de Tondela faz um balanço extremamente positivo do certame que, mais uma vez, contribuiu para afirmar e promover o Barro Negro dentro e fora de portas.

A Soenga foi acompanhada por um vasto programa cultural, que incluiu ateliês de cerâmica, música popular, uma mesa-redonda e uma conversa dedicada à Louça Preta, uma exposição fotográfica e a apresentação de um livro da autoria de António Coimbra, dali natural, mas residente em Braga desde que regressou de Angola, onde construiu grande parte da sua vida e que, como todos os outros portugueses, teve de vir sem nada, para além do desenvolvimento que deram ao ex-ultramar português.

O espectáculo de fogo “Agni Lumen” do colectivo “Art´Encena” foi o momento que mais surpreendeu o público no Parque das Raposeiras, um espaço cada vez mais emblemático na freguesia e na cidade.

A animação foi uma constante, com o Grupo de Concertinas de Gouveia, o colectivo Joel & Amigos, a Fanfarra Mal-Amados, os Cavaquinhos de Castelões e o Rancho Folclórico As Cantarinhas de Molelos.

A Soenga serviu, também, de mote para algumas conversas. Na mesa-redonda “Do Barro ao Byte. O futuro do património imaterial” participaram Celeste Afonso, investigadora e consultora cultural, Maria Antónia Amaral, do Património Cultural IP, Cristopher Ruiz, aprendiz de oleiro, Luís Lourosa, oleiro de Molelos e a presidente da Câmara de Tondela.

Já na conversa “Os segredos da olaria de Molelos” participaram Carlos Abreu e Sílvia Fragoso, autores da exposição “Os Segredos da Olaria de Molelos”, que está patente até 20 de junho no Museu Terras de Besteiros, Alberto Correia, investigador, autor e antigo director do Museu Nacional Grão Vasco, a presidente da Câmara e a vereadora da cultura no executivo.

A Soenga é promovida pelo Município de Tondela com o apoio da Junta de Freguesia de Molelos, sendo que o evento permite aos seus visitantes acompanharem de perto um dos mais antigos métodos de cozedura de cerâmica.

Molelos tem, hoje, sete oleiros, sendo o maior núcleo de olaria negra em Portugal. São estes cinco homens e duas mulheres que no terceiro fim-de- semana do mês de maio executam a Soenga, tal como aprenderam com os seus familiares, repetindo este saber fazer ancestral.

O “Processo de Produção do Barro Negro de Molelos” foi inscrito em abril do ano passado no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, após candidatura apresentada pelo Município de Tondela.