A LIGA PORTUGAL “NAVEGA” NA MENTIRA DESPORTIVA

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O Desportivo de Tondela deve continuar na I Liga

Segundo a CD Tondela Supporters 1933, “a Liga Portugal precisa de transparência: e se o caso Estrela da Amadora for apenas a ponta do iceberg?

O futebol português volta a enfrentar uma questão incómoda: afinal, quantos clubes vivem acima das suas possibilidades?

O caso do CF Estrela da Amadora trouxe novamente para cima da mesa um tema que muitos preferem ignorar: sustentabilidade financeira, licenciamento e credibilidade das competições profissionais.

Nos últimos dias, tornou-se público que o Estrela apresentou um Processo Especial de Revitalização (PER) para evitar problemas no licenciamento da próxima época. Segundo várias notícias, o passivo ultrapassa os 25 milhões de euros e o clube procura um perdão de cerca de 20 milhões junto dos credores para evitar a exclusão das competições profissionais.

A questão que muitos adeptos colocam é simples: como é possível competir ao mais alto nível com uma situação financeira desta dimensão?

Mas talvez a pergunta mais importante seja outra: Será que o Estrela da Amadora é caso único?

O problema estrutural do futebol português

O futebol português vive há anos numa realidade perigosa: SAD’s dependentes de investidores externos; salários acima da capacidade real; orçamentos construídos com vendas futuras “obrigatórias”; dívidas escondidas através de acordos, PER’s e engenharia financeira.

Enquanto isso, clubes organizados e financeiramente responsáveis acabam muitas vezes prejudicados competitivamente.

Há equipas que: pagam salários a tempo e horas; cumprem com Estado e Segurança Social; mantêm contas equilibradas; crescem de forma sustentada.

E depois há outras que acumulam dívida, vivem constantemente no limite… mas continuam a competir normalmente.

Isso levanta inevitavelmente dúvidas sobre a igualdade competitiva.

O exemplo do CD Tondela

Neste contexto, o CD Tondela merece destaque. O clube beirão tem sido, nos últimos anos, um exemplo raro de estabilidade e responsabilidade no futebol português: gestão equilibrada; cumprimento financeiro; sustentabilidade; crescimento sem aventuras irresponsáveis.

Num futebol onde muitos apostam tudo no imediato, o Tondela construiu uma imagem de clube sério e credível conseguindo 8 participações no escalão máximo do futebol português, 2 títulos de Campeão Nacional da II Liga e ainda finais da Taça de Portugal e Supertaça.

E é precisamente por isso que existe hoje uma réstia de esperança entre os adeptos do Maior das Beiras, evitar a descida de divisão e ainda permanecer na I Liga na próxima época.

Se houver incumprimento efectivo no processo de licenciamento do Estrela da Amadora, poderá abrir-se uma vaga administrativa na I Liga.

A SAD DO CD TONDELA DEVE POSICIONAR-SE JÁ. Independentemente do desfecho, há uma coisa que parece evidente: A administração da SAD do Tondela NÃO PODE FICAR EM SILÊNCIO. O clube deve: acompanhar formalmente todo o processo; exigir transparência total à Liga Portugal; defender a verdade desportiva; garantir que os critérios de licenciamento são iguais para todos.

Se existem regras financeiras, elas têm de ser cumpridas por todos os clubes — sem excepções, sem favorecimentos e sem decisões políticas.

O futebol português perde credibilidade quando: uns descem por resultados desportivos; outros sobrevivem apesar de incumprimentos graves.

O CD Tondela tem legitimidade moral para defender uma posição firme porque representa precisamente o contrário: um projecto sustentável, organizado e cumpridor.

Uma oportunidade para mudar o futebol português

Este caso pode tornar-se um ponto de viragem.

Os adeptos estão cansados de: clubes históricos a falir; SAD’s opacas; investidores sem rosto; dívidas sucessivas; competições descredibilizadas.

O futebol português precisa urgentemente de: maior fiscalização; auditorias independentes; transparência financeira pública; controlo rigoroso do fair-play financeiro.

Porque no fim, a pergunta mantém-se:

VALE A PENA SER UM CLUBE CUMPRIDOR EM PORTUGAL?

O CD Tondela tem hoje uma oportunidade rara:

mostrar que competência, organização e responsabilidade também devem ser recompensadas no futebol profissional.”

PF

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