Centro Moribundo

Longe vão os anos do “Centro Liderante”, pelo menos na parte que toca ao distrito de Viseu. Para além dos dados estatísticos (que valem o que valem) não esconderem a tendência de retrocesso num caminho que parecia imparável – motivo evidente, a crise -, o que preocupa é que os dados de perda de competitividade e de poder de compra são anteriores ao anúncio da crise.

O que tem sido decisivo é a ausência de liderança, de lobby, e obviamente os maus governos, que, sem se saber porque razão (ou talvez não), teimam em não cumprir as promessas feitas em campanha – ou fora delas. Esta semana, em debate da especialidade do orçamento das Obras Públicas, perguntei se a nova Auto-Estrada Viseu/Coimbra seria ou não para avançar. Não pedi a obra, pedi que não nos mentissem: Viseu e Coimbra merecem saber a verdade. A resposta foi, como sempre, difícil de obter, mas esclarecedora: não haverá obra com este governo. Fica o alerta para quando as condições melhorarem, e espero que melhorem. Estarei na primeira fila a reivindicar essa obra fundamental para o desenvolvimento dos dois Distritos.

De uma região outrora dinâmica, em franco crescimento, geradora de lideranças (algumas de avaliação ética muito duvidosa), desses tempos sobrevive apenas o poder político concentrado no PSD, com origem num tempo que ficará para a história como o “Cavaquistão”. O PSD detém ainda hoje a maioria do poder autárquico, e a quase totalidade das direcções das ditas “forças vivas”, cada vez mais dependentes do que vivas. Não deixa, por isso, de ser preocupante a “guerrilha” entre PS e PSD. É verdade que a acção do governo do Eng. Sócrates está limitada às poucas Câmaras socialistas, com especial evidência para a de Mangualde, liderada pelo actual líder Distrital. Entre PS e PSD há mais semelhanças que diferenças: na hora da decisão, os amigos do partido estão sempre em primeiro lugar. Mas o erro de uns não explica o de outros, e quem perde é o Distrito. Não está em causa o apoio ao Município de Mangualde, que bem merece, depois de tantos anos de abandono – e, valha a verdade, reconheço mérito e ambição ao seu Presidente. Mas fica a surpresa de tanta realização para um Município com um endividamento líquido, até Dez/09, de 17.041.664 €. O que falta é igual investimento noutros Municípios.

Este comportamento explica muito do estado moribundo do Distrito. As dificuldades económicas são verdadeiras, mas a falta de uma visão global e integrada do Distrito, de critério na gestão dos parcos recursos, concentrando investimento em projectos capazes de puxar por sectores ou regiões, ou ainda para potenciar investimentos anteriores, por exemplo a conclusão do IC 12, em complemento dos investimentos, e para ajudar ao crescimento da Citroen-PSA, tão importante para o Distrito, ou ainda a recuperação dos Mosteiros de Salzedas e Tarouca, aproveitado a dinâmica turística do Douro. Nada disso se fez, mas é completamente inaceitável que o Governo não se comporte como uma pessoa de bem, seja displicente, mandando retirar o serviço de internet de banda larga em 16 escolas do 1º Ciclo de Vouzela e São Pedro do Sul, afectando cerca de 350 alunos, ou actuando como qualquer “caloteiro”, não pagando os compromissos em matéria de educação – cerca de nove milhões. A educação não é um custo, é um investimento.

Igualmente inaceitável, irresponsável, e que, de certa forma, confirma a incapacidade das lideranças, é a atitude do Presidente da Câmara de Vouzela, ao cancelar a entrega de fruta aos alunos do ensino básico, por não ter recebido até à data as verbas correspondentes ao programa “Regime de Fruta Escolar”. Qualquer que seja a razão, não se pode utilizar as nossas crianças como arma de arremesso político. Qualquer família faz os sacrifícios que tem que fazer para que nada falta aos filhos; um Presidente de Câmara deve cortar nas festas, em subsídios de cacique, e em eventos, mas nunca na alimentação das crianças. Esta forma de fazer política diz muito do como já estivemos bem melhor.

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