DA SERRA * ECOS DA SERRA * ECOS DA SERRA * ECOS DA SERRA * ECOS

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A parte da serra sem água e sem esgotos e até sem estradas…

SERRANO TAMBÉM SER GENTE !!

Venho alertando, ao longo dos anos, para problemas velhos e relhos da nossa linda Serra do Caramulo que parece ninguém querer solucionar, muito embora na época de eleições autárquicas, se prometa tudo e mais alguma coisa, na caça ao voto, como se o povo não tivesse memória, na sua esmagadora maioria, já que muitos outros apenas votam no emblema partidário, simplesmente por cegueira e “clubite”.

E já foi com o pensamento na valorização da Serra do Caramulo que ali já escrevi dois livros – “A Arte do Tempo” (2009) e “Caramulo – a magia da serra e das gentes” (2016). E por gostar muito dela, fiquei com vontade de, por qualquer meio, defendê-la daqueles que a usam para seu proveito próprio e não pelo interesse colectivo, visando as necessidades básicas de quem teima em lá viver, longe de tudo e de todos, contra a mania dos governos de privilegiarem o litoral e as grandes cidades, em detrimento do interior, retirando-lhe tudo aquilo que, no passado, ajudava ao seu viver.

Aldeia sem acesso condigno à Frágua e a Mosteirinho e sem água…

Foi, também por isso, que na extinta e saudosa Rádio “Tom Dela” (Emissora das Beiras”), dei a minha voz em favor desta região desfavorecida e em plena desertificação humana. E nunca me esqueci de denunciar que retiraram ao Caramulo, nada menos de duas agências bancárias e uma dependência da Caixa Agrícola de Tondela, deixando, se calhar “por favor”, duas caixas multibanco, como se isso fosse o bastante para fixar as pessoas. Igualmente nunca deixei cair o problema da falta de policiamento na nossa serra, que tem um quartel da GNR às “moscas”, deixando-a à mercê de localidades que, por si só, já são favorecidas pela proximidade à sede do concelho.

Leitor: Leu os livros que escrevi, tem lido as minhas crónicas neste velhinho jornal e alguma vez ouviu o “Zé Beirão” a falar sobre a Serra do Caramulo? Se não ouviu nem leu, ouvisse e lesse, desculpe lá. Julgo que, por mim, fiz apenas a minha obrigação como cidadão deste Concelho no papel de jornalista atento e interventivo, que ninguém me pode tirfar, antes de ser cidadão do Mundo.

Se o velho doutor José Júlio César fosse vivo, da sua “tribuna”, o jornal “Comércio de Viseu” (segunda década do século XX), já teria desancado os autarcas da sua terra sobre o estado de coisas, aparentemente de fácil solução, ou obra de pouca monta, quando, na verdade, o que falta é a própria falta de vontade desses políticos.

O Dr. José Júlio César, era de S. João do Monte (bisavô do actual Dr. Fernando Seara, neto de um dos quatro almirantes de Tondela, Armando Júlio de Reboredo e Silva) e, quando as coisas não corriam como deveria ser, na sua aldeia feita vila e sede do concelho, ele escrevia que “serrano também ser gente”…

Ora, se serrano também é pessoa e claro que é de pleno direito, não pode ser, simplesmente, postergado, como gente que nada justifica e merece. Os deveres de cidadania e os seus direitos, são os mesmos de qualquer aldeia, vila ou cidade. Claro que não poderá ter palácios, mas pode ter, com toda a legitimidade, direito às coisas boas que os outros têm, isto é, boas estradas de acesso, iluminação condigna, esgotos, água ao domicílio e, também, água nos fontenários, quer sejam velhos quer sejam de construção de fresca data. E o que acontece, é que foram colocados os tais fontanários de granito, bem lustroso, mas do precioso líquido, nada, nem gota. Isto é que vai uma secura!

Aconselho uma visita à velha freguesia de Mosteirinho e vejam a secura que por ali vai. Fontes sem água e até a velha fonte de Malhapão apenas foi limpa na sua fachada, mas a água deixaram-na encurralada na mina, a perder-se, porque não houve tempo de a limparem convenientemente.

E vejam que na última edição da nossa “Folha”, na secção “Correio do Leitor”, o grito de revolta de um habitante da terra, a secundar, naturalmente, aquilo que eu, por várias vezes, tenho denunciado.

O PERIGO DA EN 230 SEM GUARDAS

Um outro assunto que já aflorei por diversas vezes, é o caso da queda das guardas, especialmente em curvas perigosas da antiga Estrada Nacional 230 que, da cidade de Tondela, conduz às vilas do Caramulo e de S. João do Monte.

 

Não está em causa se por acidente ou malvadez, as pedras foram soltas dos seus lugares de defesa de um acidente ainda maior, o despenhar de alguma viatura nos baixios da via, ou a queda de alguém montado em motos ou bicicletas.

O que é certo é que, já há anos, que a situação se mantém sem que as autarquias procedam à imediata reposição das guardas nos seus devidos lugares, reforçando, até, a sua fixação e, se calhar, complementando essa segurança com rails de protecção. Em vez de uma, duas seguranças. Ou então, procedam ao alrgamento da estrada, ainda com a supressão de algumas curvas, pois são imensas que a via tem. A estrada também tem interesse económico. Pode ser muito bonito para o “turismo”, mas muito mal para uma vilegiatura mais segura. Há curvas apertadíssimas, que dificultam o trânsito de camions de grande tonelagem.

Este assunto também foi aflorado na crónica da “Caramulana” que secunda, desta forma, aquilo que, já em devido tempo, tenho lembrado.

E, já agora, uma pergunta: Que se passa com o acabamento da asfaltagem da estrada Cadraço, Laceiras, Pedrógão e Jueus?