POSTAL DE LISBOA – O PAÍS QUE TEMOS

Leonel Marcelino

A EDUCAÇÃO ACTIVA VERSUS A EDUCAÇÃO PARALÍTICA

Há anos que temos vindo a criticar o magíster dixit  que persiste na Educação dos nossos dias.

Continua a ser uma prática frequente os professores que ditam apontamentos para os alunos memorizarem, assim como aqueles que, do cimo do seu saber, despejam, durante longos minutos, tantas vezes de costas para a turma, os conteúdos dos manuais.

Os tempos mudaram e exigem o termo destas práticas passivas para darem lugar a um processo activo, aproveitando todas as potencialidades oferecidas pelas novas tecnologias, o que não significa, nem o fim do professor, nem dos manuais. Apenas temos de mudar certas práticas, pois os cidadãos que a escola tem de preparar hão-de responder a desafios diferentes dos do passado.

Num artigo da revista “Visão”  (Dezembro 2017), Vijay Kumar, Director-adjunto de Aprendizagem do MIT, confirma e reforça, com uma autoridade mais importante e credível que a minha, por motivo da sua experiência e saber, o que continuamos a defender: a urgente mudança de um ensino passivo para um ensino activo.

Modernamente, o professor  tem de assumir o papel de facilitador, de interactor, de filtrador da informação, de gestor da aprendizagem, criando ferramentas capazes de sinalizarem, na hora, os ritmos de aprendizagem, a sua consolidação, os erros e os sucessos. Não tem interesse uma avaliação fundamentada na repetição e na memorização. Hoje, o fundamental é medir a compreensão dos conceitos.

As manifestações de professores, organizadas por sindicalistas sem prática actualizada de ensino, exibem, à saciedade, a desactualização dos docentes. Hoje, a sala de aulas é do tamanho do mundo, as turmas não têm limite de alunos, os horários têm de caracterizar-se pela flexibilidade, com menos compartimentação, as orientações do Ministério da Educação terão de ser menos redutoras e apostarem na liberdade e responsabilidade das escolas.

Também o professor único está a acabar para dar lugar ao tratamento de conteúdos de diversas disciplinas, em simultâneo, o que requer a presença dos professores adequados. Por isso, se assiste, já, à construção de escolas diferentes, com espaços amplos para satisfazerem as exigências deste ensino activo, libertado, que não se compadece com acantonamentos acanhados.

Outra mudança muito importante é que toda esta mudança exige que as directrizes do Ministério da Educação sejam menos limitativas, menos burocratizadas, dando mais liberdade e responsabilidade à escola e aos professores, pois nunca mais um ano escolar pode arrancar sem que a escola planifique activamente as tarefas que as novas actuações exigem.

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