ENTREGUES PELO MUNICÍPIO DE TONDELA 18 chaves de casas reconstruídas após incêndios de 2017

O Município de Tondela entregou simbolicamente, no dia 2 de Janeiro, as chaves de 18 casas reconstruídas, 12 de reconstrução total e seis parciais, a famílias que viram os incêndios de Outubro de 2017 a consumir as suas habitações.

Com o presidente da Câmara Municipal de Tondela, José António de Jesus e a presidente da CCDRC, Ana Abrunhosa, esteve o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, na entrega das chaves de habitações que já foram reconstruídas, numa cerimónia realizada nos Paços do Concelho da cidade.

Obras nas casas afectadas pelos incêndios concluídas na primavera

“Durante a primavera, teremos todas as casas entregues às famílias, espero eu, salvo algum caso que, por razões legais, possa ter algum tipo de dificuldade”, disse aos jornalistas o ministro Pedro Marques, que, naquele dia, também esteve no concelho de Vouzela, em cerimónia idêntica.

O ministro deixou claro que “as casas não se constroem num estalar de dedos“, por mais que haja a vontade de que os empreiteiros trabalhem depressa.

“Temos, por um lado, a sensação do dever cumprido cada vez que uma casa é concluída e é entregue às famílias, mas, por outro lado, sempre aquela inquietação de quem quer ver todo este trabalho concluído“, afirmou.

Tondela e Vouzela, no distrito de Viseu, foram dois dos concelhos mais afectados pelas chamas que deflagraram a 15 de Outubro de 2017 e que atingiram 32 concelhos.

Concluídas 455 habitações e 334 em diferentes fases de execução

Ao fazer um ponto de situação do Programa de Apoio à Reconstrução de Habitação Permanente, a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, disse que, dos mais de 800 pedidos contemplados, 796 foram relativos a habitações total ou parcialmente destruídas pelas chamas, que implicam 56,9 milhões de euros do Orçamento do Estado.

“Destas, estão concluídas 455 habitações e, em diferentes fases de execução, temos 334 habitações”, explicou Ana Abrunhosa, acrescentando que há ainda “sete habitações de reconstrução parcial, onde as pessoas estão a viver, que não iniciaram a reconstrução”, por não terem conseguido empreiteiro para as pequenas obras. A dirigente regional disse que até ao momento, foram pagos 30,6 milhões de euros às famílias e às empresas de construção.

“Que tarefa gigantesca !!”

Na sua intervenção, José António de Jesus recordou que foram instruídos 173 processos para apoio de primeiras habitações (apoio até 25 mil euros e de valor superior, a integrar em empreitada a desenvolver pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro). “Que tarefa gigantesca para se instruírem tantos processos, para se apoiarem tantas pessoas, ouvindo, compreendendo, auxiliando, encorajando”.

O autarca referiu ainda que alguns processos não reuniram condições para prosseguirem como primeiras habitações, transferindo-se para segundas habitações, com apoio de instrumentos financeiros criados pelo município. “Neste Apoio à Recuperação das Habitações não Permanentes resultou a candidatura de 33 habitações”, acrescentou.

Das 18 chaves entregues, três delas são referentes a habitações reconstruídas com verbas da conta solidária “Reabilitar Tondela” e do trabalho de voluntários, com a “Just a Change”, o grupo José de Melo Saúde, entre outros.

“Palavra dada, palavra honrada”

“Trata-se de pessoas que viviam no concelho, em casas que não reuniam as condições para poderem beneficiar do Programa de Apoio, mas que, como disse a 20 de Outubro de 2017 – aquando da tomada de posse deste mandato – ninguém, que demonstre que vivia em determinada casa, de forma permanente e aí tivesse o seu domicilio fiscal, ficaria sem apoio”, explicou o presidente da Câmara de Tondela.

Nos próximos meses serão concluídas mais habitações, esperando-se que “até ao verão se concretize toda a operação das primeiras habitações”, sustentou José António de Jesus.

“Extraordinário trabalho” do presidente do Município de Tondela

A presidente da CCDRC, no “ponto da situação” do PARHP agradeceu ao presidente da Câmara de Tondela por ter tornado “este processo mais fácil”, graças a um “extraordinário trabalho e dedicação”.

“O senhor presidente não fez o mais fácil, que era entregar isto a um vereador. Assumiu isto como sua missão e é a horas tardias que faz o que qualquer presidente de Câmara faz”, apontou.

Já o ministro Pedro Marques, destacou a “excelente parceria institucional”, quer neste processo de reconstrução de habitações, como também em relação ao IP3, cujas obras vão começar este ano.

“É um dia simbólico para nós, o primeiro do ano (…), em que olhamos para o futuro com mais esperança, para todos do concelho Tondela”, concluiu.

Crescimento desordenado de eucaliptos: “Ameaça de nova tragédia”

Sementes de eucaliptos transformam o terreno, como se fosse centeio ou nabos… (arquivo)

Durante o seu discurso, o presidente da Câmara de Tondela, aludiu, ainda, à necessidade de serem tomadas medidas excepcionais para evitar outra tragédia da dimensão da de Outubro de 2017.

“Não deixaremos de alertar para a obrigação de se criarem medidas excepcionais, num quadro legislativo nacional, de verdadeira protecção civil, que permita erradicar as infestantes de regeneração espontânea, principalmente eucaliptos, que crescem de forma descontrolada junto a habitações e à rede viária“, alertou o autarca de Tondela.

Na sua opinião, “isso não pode ser mera gestão de faixa de combustível, terá de ser garantido com a mobilização dos solos, pois só assim será assegurada a extinção deste grave problema”.

“Seria lamentável se, daqui a escassos anos, estivéssemos a assistir a uma fatalidade idêntica à de 2017”, considerou.

No final da cerimónia, seguiu-se uma visita a duas habitações em reconstrução, na freguesia de Ferreirós do Dão, sendo todos os presentes obsequiados com um beberete nas instalações da Associação Vale do Dão.

 

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