MOSTRA GASTRONÓMICA POTENCIA O CABRITO E A SERRA DO CARAMULO

Chegou ao fim nesta última segunda-feira, dia 10 de Junho, a 13.ª Semana Gastronómica do Cabrito da Serra do Caramulo e XX Feira de Artesanato e Produtos Locais, que atraiu cerca de 4.000 apreciadores aos restaurantes aderentes durante a sua realização.

Durante os dias do certame, os visitantes tiveram a oportunidade de degustar o prato gastronómico mais emblemático da zona serrana do concelho de Tondela, o “divinal cabrito”, como se diz quando os confrades efectivos e de honra são entronizados nos grandes capítulos que, anualmente, a Confraria do Cabrito e da Serra do Caramulo, realiza com muito sucesso.

Também, durante esse lapso de tempo, tiveram o ensejo de tomar contacto com os produtos locais, os mais variados e o artesanato, enquanto os mais pequenos, dando largas à sua alegria, dispunham de insufláveis e piscina de bolas, havendo ainda, para todos, outras actividades paralelas e as tradicionais tasquinhas, onde eram servidos deliciosos petiscos.

MUITA ANIMAÇÃO E MÚLTIPLAS ACTIVIDADES

Na animação do espaço, não faltaram atractivos musicais para todos os gostos, tendo marcado presença, através das suas actuações, “Dual Voice”, “Saxo Box”, “Irmãos Magano” (grupo de concertinas), “Nuno Abelha”, “Bruno Pato” (acústico), “Duplo Sentido” (Carlos Peninha e José Cardoso) e ainda a música tradicional portuguesa, através da participação do Rancho Folclórico “As Capuchinhas”, de Santiago de Besteiros e o Grupo de Cavaquinhos de Castelões.

O certame serviu, ainda, em pano de fundo, para a realização da sempre magnífica e agradável Rota dos Caleiros, caminhada pedestre, por entre prados, lameiros e cabeços, nas imediações do Caramulinho (1074 metros), onde tomou parte, caminhando, claro, o presidente do Município, entre outros autarcas.

 

NÚMEROS:

  • 4 dias de certame
  • 12 restaurantes aderentes
  • 2 restaurantes de serviço
  • 4.000 visitantes

No aspecto gastronómico, a presença, ainda, do Chef João Coimbra, que apresentou “Cabrito, laranja e carqueja, a serra inteira num só prato”, da Escola Profissional de Tondela. Também o Chef João Pereira, do Hotel do Caramulo, apresentou “Sabores e aromas da nossa serra”.  

Cumprindo a tradição no aspecto literário e cultural, foi realizada a apresentação do livro “O Silêncio do meu Perdão”, da escritora Li Marta, com sessão de autógrafos.

Antes da habitual visita pelos stands presentes, o presidente da Câmara Municipal de Tondela, José António de Jesus, teve ensejo de responder às questões colocadas pelos órgãos da comunicação social e até fez quest

 

ão de desafiar aqueles que, através de explorações ligadas à criação cabras e cabritos e de uma queijaria, poderiam potenciar aquilo de que a zona serrana do concelho de Tondela tem mais aptidões, a pastorícia e as actividades a ela ligadas, para além, naturalmente, das potencialidades turísticas, nas suas múltiplas facetas.

PROMOVER UM DOS PRODUTOS MAIS CARACTERÍSTICOS E ENDÓGENOS DO TERRITÓRIO”

“Esta mostra gastronómica procura evidenciar as potencialidades turísticas, gastronómicas, culturais e a identidade do território em que estamos inseridos”, começou por dizer o autarca, para acrescentar: “Também é sabido por todos que o grande propósito deste evento, agregando a Junta de Freguesia do Guardão, associando a Confraria do Cabrito e da Serra do Caramulo e um conjunto vasto de restaurantes locais que estão envolvidos nesta iniciativa é, acima de tudo, promover um dos produtos mais característicos e endógenos deste território”.

O autarca fala da excelência do cabrito reconhecida por todos, sendo também “importante dar-lhe um valor económico em toda a cadeia de valor que lhe está associado. Ao longo destes anos, tem sido recorrente a nossa motivação e o estímulo para que novos produtores possam surgir, em particular que a cadeia do comércio seja valorizada e que os produtos gastronómicos diferenciadores possam surgir”.

ALDEIAS DE MONTANHA VALORIZADAS POR TRÊS MUNICÍPIOS VIZINHOS

Para si, também era sabido que esta estratégia “se cruza com vários restaurantes, várias unidades, que ao longo destes últimos anos têm surgido, em particular no alojamento local, isso é um dado muito objectivo e a isto se associa também a candidatura que neste momento três municípios, Tondela, Vouzela e Oliveira de Frades, realizaram para a valorização das aldeias de montanha”, num objectivo que visa promover, numa escala integrada com os demais territórios, valorizando a serra nos seus produtos e o seu potencial económico.

“Diriam alguns, porventura, que esta feira se não ocorresse no Caramulo, estivesse centrada provavelmente na cidade, teria maior amplitude, mas para nós é fundamental que a identidade do território se mantenha e fazê-la aqui, com todos os custos que lhe estão associados, não deixa de ser também uma oportunidade para que quem nos visita percorra o concelho e, em particular, valorize aquilo que são as potencialidades da Serra do Caramulo e aquilo que é a actividade económica que aqui está”, sustenta José António de Jesus.

Trata-se de um propósito, segundo o autarca, que une estes municípios ao longo destes anos, tendo um projecto desta dimensão, apostar nesta vertente e nesta valência, “como um instrumento determinante, também, para a fixação das pessoas, porque só a actividade económica sem a valorização destas iniciativas, naturalmente que estaríamos a esvaziar os nossos territórios e nós bem sabemos o esforço que representa para estas comunidades, terem aqui o seu projecto de vida, estarem aqui enraizadas e estas dinâmicas estruturadas que estão a ocorrer, são, de facto, fundamentais para se alimentar esta nossa dimensão de território inclusivo ou enucleado, ou seja, apoiado em vários vectores do desenvolvimento”, deixa claro o autarca tondelense e acrescenta: “o nosso concelho apoia-se de facto, em vários núcleos estratégicos de desenvolvimento e o Caramulo em particular, como âncora de toda a serra, é um desses vectores importantes”.

  • REPTO DO PRESIDENTE:
  • “QUEM QUER INSTALAR UMA QUEIJARIA? O MUNICÍPIO DE TONDELA DÁ O SEU APOIO

Para José António de Jesus, que falava de um agricultor que, na zona serrana, criou uma empresa ligada à caprinicultura, com 400 cabeças de gado, “falta-nos, ainda, incrementar um produto associado, no caso concreto, ao queijo”.

Trata-se de “uma ligação, lógica, de produtos, para a cadeia do valor”, como disse, acentuando que este seria um desafio para a satisfação do qual a autarquia estaria disponível, deixando claro que “o município é detentor do antigo Matadouro do Caramulo e, com já o dissemos várias vezes, temos um projecto de reabilitação para este matadouro, quando existir um investidor, alguém que queira desenvolver a área, por exemplo numa pequena queijaria, estamos disponíveis para reabilitar esse edifício, colocando-o num processo de concessão para esse fim”, confidenciou o edil.

É claro que, como referiu, a Câmara não avançará com o projecto enquanto, naturalmente, “não tivermos esses investidores, portanto, há ainda espaço para se crescer e para valorizar outros produtos”, onde, naturalmente, o cabrito é rei.

“É notório que hoje, na generalidade dos nossos restaurantes, seja na serra, seja na cidade, o prato do cabrito é um prato muito valorizado, reconhecido pela sua qualidade e pela diferenciação, porque a sua confecção no barro preto, dá-lhe uma característica muito própria de sabor, de textura e isso valoriza o produto. Eu diria que o cabrito há em muitos sítios, mas como o do Caramulo, assado com este processo tradicional, é só aqui que o encontramos”, concluiu José António de Jesus.

 

 

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