DA TUBERCULOSE E GRIPE ESPANHOLA À COVID-19

ZÉ BEIRÃO   |   A propósito da actual pandemia do coronavírus, na sigla de “Covid-19”, que grassa por todo o mundo desde o final de Dezembro de 2019 e que teve a sua eclosão numa cidade chinesa, dizer que ela não escolhe entre ricos e pobres, nobres ou plebeus, reis e súbditos, medindo todos pela mesma rasa.

Escreve-se e comenta-se que o mundo enfrenta a mais grave pandemia dos últimos 100 anos, o que nos leva ao final da segunda década do século XX.

Em Janeiro de 1918, morria, em Tondela, o fundador do jornalismo do concelho, que se chamou Alexandre de Castro Coelho, o Alexandre Rasteiro, como era mais conhecido, o qual, no seu jornal “Atalaia de Besteiros” de 19 de Janeiro de 1890, noticiava que, em Portugal e no mundo, grassava a terrível “Influenza”, de origem espanhola e que já causara milhares de vítimas.

Dizia o primeiro jornal de Tondela, fundado em Novembro de 1889, que a tal “Influenza” também grassava na região de Besteiros e que, em Tondela, teria atacado não só o próprio Alexandre, mas também o Dr. Joaquim Rodrigues Simões de Carvalho e toda a sua família, ele que foi o delegado de saúde do concelho na altura, além do também médico Dr. António Felício Pais do Amaral.

Na altura, outras pessoas da então vila de Tondela, sofreram a mesma sorte, como foi caso do próprio Juiz de Direito da comarca e toda a sua família, menos o filho mais novo.

Um ano depois, o “Atalaia de Besteiros” de 20 de Setembro de 1891, noticiava que a epidemia continuava a fazer vítimas na vila e freguesias, com casas que viam os seus locatários com três e quatro doentes, revelando-se uma doença teimosa, persistente, como aconteceu em Várzea de Lobão.

“É de temer naquele local uma epidemia, atentas as suas péssimas condições higiénicas”, asseverava o periódico de Alexandre Rasteiro.

Mas, naquele tempo e durante grande parte do século XX, a tuberculose, a “peste branca” grassava no mundo e em Portugal e, em 1882, já Robert Koch tinha identificado o bacilo da tuberculose e a falta de higiene pública não ajudava à despistagem da doença.

Só em 1921, foi criada a vacina BCG (Bacilo Calmette Guerin). E só em 1944 surgiu uma nova era contra a tuberculose, através dos antibacilares. A peste branca do século, mataria muitos vultos ilustres, como a própria filha do Rei D. Pedro IV, Cesário Verde, Júlio Dinis, Alexandre Castilho, Almeida Garret, António Nobre, Sousa Martins, Soeiro Pereira Gomes e ainda, além de tantos outros, Jacinta Marto, uma dos três pastorinhos de Fátima, em 1920.

MUITA SOLIDARIEDADE É PRECISA

Tendo o dia 7 de Abril (Dia Mundial da Saúde) como referência, sobre a “Covid-19”, com muitos milhares de mortos em todo o mundo, dizer que, só nesse dia em Espanha, havia 140.000 casos confirmados e já com 13.798 mortes no total, sendo certo que, nesse mesmo dia, foram referenciadas nada menos de 743 mortes.

Nesse dia, em todo o mundo, registavam-se cerca de 75.000 mortos e mais de 1,3 milhões de casos, números já ultrapassados largamente, no dia de hoje, 21 de Abril. O próprio 1.º Ministro inglês Boris Jhonson, não escapou à infecção por “Covid-19”, tendo estado acamado, mas recuperando.

Em 7 de Abril, Portugal registava, já, 12.442 casos, com 345 mortes, pelas regiões do norte, centro, Lisboa e Vale do Tejo e Algarve, com 4.442 pessoas a aguardar testes laboratoriais e que 184 pessoas tinham recuperado. O Alentejo não tinha vítimas.

No meio de toda esta desgraça, o registo de grandes actos de solidariedade e do estoicismo e resiliência dos profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, auxiliares, sem esquecer as corporações de bombeiros, as instituições de solidariedade social, os municípios, autarquias menores e várias empresas.

Também não esquecendo aqueles que se preocuparam com os sem-abrigo, garantindo-lhe alojamento, comida e agasalhos.

E que pena não ser assim, efectivamente, nos 365 dias do ano, para que não existam em Portugal pessoas sem tecto, sem trabalho, sem pão, sem futuro. 

São os meus votos, nestes tempos depois da Páscoa de 2020…