POSTAL DE LISBOA – UMA CAMINHADA SEM FIM

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«Quando transferimos o nosso poder para as mãos de políticos profissionais estamos a criar um país em que apenas uns decidem e fabricam destinos e outros obedecem»

A democracia deveria ser uma caminhada corajosa, interminável, sem desalentos, teimosa, sem quebras de investigação, de reflexão, de ciência, de busca dos verdadeiros interesses dos cidadãos, do rejuvenescimento das crenças, do aperfeiçoamento dos costumes, da adaptação dos governos aos tempos, aos lugares e às pessoas.

Os políticos deveriam perceber que a democracia é uma corrente impetuosa e irreversível que nos conduzirá a um oásis saboroso, se as pessoas quiserem, ou que nos arrastará para o caos e para o desastre se as pessoas deixarem de contar para se adorar o deus-do-dinheiro-e-do-poder.

Ninguém pode perder de vista que a democracia é o governo do povo para o povo. Isso exige que ninguém se acomode, que ninguém entregue a luta por uma vida melhor nas mãos de políticos formatados para o poder e o enriquecimento, especialistas em jogos de palavras, em manobras de poder, viciados numa lógica de que vale tudo para o alcançar.

Um país em que os cidadãos sejam preguiçosos e transfiram as suas lutas para as mãos de políticos profissionais, manhosos, manipuladores, burocratas, é um país arruinado, condenado ao fracasso.

Nenhum cidadão pode ter medo de sonhar, de lutar, nenhum cidadão pode deixar de intervir, de se informar, de desconfiar, de exigir que as regras sociais se cumpram, sob pena de cairmos na ditadura disfarçada em que se vive, hoje, um pouco por todo o mundo, com relevo para Portugal.

Quando transferimos o nosso poder para as mãos de políticos profissionais, que nada sabem da vida, pois nunca largaram o berço de ouro em que nasceram, entrando, depois, no rebanho dos acéfalos jotinhas, sem sofrimento, sem necessidade de combates que não sejam os que impõem os sujos e viciados interesses ideológicos do grupo, estamos a criar um país em que apenas uns mandam, decidem, fabricam destinos e outros obedecem, se sujeitam, agradecem, de barrete na mão, a sopa dos pobres.

É isto uma democracia? É o que temos.