A CASA DO DR. GILBERTO

ZÉ BEIRÃO  *   A casa mais que centenária onde viveu e dava consultas de medicina, o Dr. Gilberto Ramos, foi, finalmente, adquirida por uma empresa de construção civil da cidade.

O terreno da casa, do outro lado da antiga Rua do Teatro, fora adquirido, pelo falecido Urbano Figueiredo da Cruz, que o ofereceu aos bombeiros para, ali, erguerem o seu novo quartel, muito embora o local não fosse o mais adequado, pois muita gente havia que o queria ver em lugar mais aberto, amplo e desafogado. Mas estas, são histórias que, agora, não vêm à colação.

O que importa deixar claro, é o que o velho imóvel do século XIX, salvo melhor opinião, é que, adquirido, ao fim de tantos anos a cair aos bocados, depois que o Restaurante “O Solar” encerrou portas, vai ser demolido para, no seu lugar, surgir um novo imóvel destinado a muitos apartamentos e, possivelmente, ainda, a comércio e serviços, dado o lugar privilegiado em que vai assentar, junto ao Palácio da Justiça, no principal largo da cidade (a “sala de visitas da região”) e mesmo em frente ao quartel dos Bombeiros Voluntários de Tondela.

Convém referir que, depois dos fins a que se destinava a casa, em termos de restauração e de serviços, com escritórios de advogados, o local era antro de porcarias, pois servia de mictório e de “quartel-general” à bicharada do costume, quando algo no género deixa de ter actividade e tudo fica à mercê dos curiosos e dos vândalos.

Por outro lado, os tondelenses criticaram, com carradas de razão, o estado de degradação a que tal imóvel foi chegando, tanto mais que os herdeiros “não se entendiam” na questão do numerário a reembolsar.

Mas a empresa de construção em apreço, conseguiu entender-se com eles e, há poucos meses, uma placa apareceu no muro a informar de que o imóvel estava vendido.

Na manhã e tarde de quarta-feira, dia 6 de Novembro, pessoal da empresa e uma máquina, surgiram, a limpar pernadas das tílias da antiga esplanada do “Solar” e até a cortar a figueira e a camélia, também ela centenária e colocando uma vedação, como é normal nestas obras. Tudo bem e nada a reclamar.

O LOCAL MERECE ESTUDO

O fim do imóvel actual e o futuro imóvel de apartamentos que ali vai surgir, suscita, à priori, um estudo aprofundado da parte do Município de Tondela. Não se trata de obstruir, por qualquer modo, a construção de um imóvel, que vai ser posto ao serviço da habitação, que, felizmente, avança na cidade.

O ideal, era que, à cave e ao rés-do-chão do imóvel, se garantisse a existência de um espaço destinado a um restaurante típico que está a fazer falta na cidade, com a melhor gastronomia da região, pois urge chamar gente àquele largo que tem morrido à falta de atractivos, como era o “Solar” e até o quiosque, que se mantém encerrado.

Contudo, isto depende do ponto de vista do empresário que, queiramos, quer não, ajudou, indirectamente, a desenvolver a cidade.

O muro de vedação, da rua e do parque do Palácio da Justiça, deverá, naturalmente, desaparecer. Recuando aparcamentos e dando uma maior segurança ao local, com a entrada e saída de viaturas dos bombeiros e maior segurança de pessoas.

Em diálogo concertado com o Município, haveria de ser conseguido espaço necessário para a implantação de uma rotunda, acabando-se, de vez, com a “meia-lua” existente, no acesso à zona hospitalar e escolar, nesta parte central da cidade, recuando-se o canteiro da frontaria do Palácio da Justiça e a curva do cimo do Largo Professor Doutor Anselmo Ferraz de Carvalho.

Mesmo que não fosse uma rotunda muito grande, pelo menos se conseguiria uma melhor fluidez de trânsito naquele movimentado cruzamento. Com o recuo do novo imóvel, certamente tudo ficaria mais amplo e capaz de receber essa bendita rotunda onde, naturalmente, também, muito bem assentaria a erecção de um monumento ao bombeiro, que bem o merece.

Com um novo edifício moderno, do século XXI, de linhas elegantes e atractivas, a rotunda e a estátua aos Soldados da Paz, como tudo aquilo seria dar nova vida ao centro de uma cidade que deve ser cada vez mais bela e próspera, a acolher que, nestes últimos tempos, a tem escolhido para trabalhar e viver.

Não necessito de fazer um desenho a explicar a implantação da rotunda. No Município há, naturalmente, engenheiros e arquitectos capazes de o fazer, melhor de que eu, para bem de um novo visual do centro da cidade, assim o queiram o actual presidente e sua edilidade. E acredito que sim, que querem…

E, depois de todo este arrazoado, se fui inconveniente, peço desculpa, pois podem ser “caturrices” dos anos que já me pesam nos ombros (e nas pernas), mas que consigo, graças a Deus, ainda, enxergar ao longe, que a cidade pode ser melhor para toda a gente que gosta dela e não daquela que apenas gosta dela em proveito próprio…

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