UM DIA DE MAGIA PARA OS UTENTES DA MISERICÓRDIA DO VALE DE BESTEIROS

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Na tarde do dia 4 de Dezembro, a Misericórdia do Vale de Besteiros, ali, na Ladeira de Castelões, realizou uma alegre e animada festa com os meninos e os utentes do Lar e Centro de Dia, com a inauguração do “Cantinho de Natal”. 

Tudo estava um primor e, para tanto, através das mãos empreendedoras da Maria Ferreira e da Catarina Pessoa, respectivamente, animadora do Lar e Centro de Dia e auxiliar, a obra do “Cantinho de Natal” nasceu, também, com a ajuda de alguns utentes, corporizando uma festa simples, mas bem à medida dos meninos e das pessoas a quem se destinava, aquelas que têm o lar e a creche, como farol de abrigo e de calor humano.

À festa de inauguração, compareceram o provedor e o vice-provedor, respectivamente, Fernando Meneses e o prof. Isaías Ribeiro Mateus, dois dos fundadores da obra, a par de um grupo de pessoas, onde se contou o saudoso Dr. João Almiro, que foi “pai” e “mãe” de tantos rapazes e raparigas, transviados da vida e que foram acolhidos, com o maior carinho, tanto no primitivo “Convívio Jovem”, como no “Convívio Andorinhas”, ele, que até ia tirar cadastrados ao Tribunal, responsabilizando-se por eles e reencaminhando-os para uma vida verdadeiramente recta, de trabalho, de educação e disciplina, num retorno à sociedade.    

  • UM DIA DE MAGIA PARA CRIANÇAS
  • E IDOSOS
Celina Rodrigues

Segundo a directora técnica, Celina Rodrigues, o que estava a ser feito naquela tarde, era “algo tão simples como um momento de agradecimento da parte dos idosos”.

Para si, era “a forma de como nós queremos agradecer aos meninos da creche e jardim-de-infância, os sorrisos que arrancam aos idosos todos os dias, nos pequenos momentos de contacto e interacção que têm durante o dia. Assim, achámos que seria uma boa forma de lhes agradecer esses sorrisos, promovendo um dia de magia, um dia de diversão, de criatividade e nada melhor do que o Natal, para que isso pudesse acontecer”.

As crianças iriam encontrar, ali, o ´pai natal´, mas o pai natal era apenas um símbolo. “O que queremos é que as crianças se divirtam no´Cantinho de Natal´, que foi todo construído com materiais recicláveis, promovendo um espaço mágico  e de diversão para os meninos, onde eles podem interagir com os idosos, partilhar sorrisos, partilhar momentos de alegria e de experiências e até a troca de ideias do Natal de há 40 e 50 anos e compará-lo com o Natal que vivemos hoje”, tanto mais que a instituição conta com utentes com mais de 80 e 90 anos.

Aspecto do lar centro de dia e creche

O importante, para a Celina, era a passagem dos testemunhos da juventude desses tempos mais recuados e compará-los “com aquilo que vivemos hoje, transmitindo um bem essencial, que é a união, a partilha, a família, a cooperação entre todos”.

“Tudo o que é feito nesta casa, é feito com muito amor. E a cooperação entre as colegas, as equipas, sempre foi a palavra de ordem e hoje, mais do que nunca, essa palavra faz todo o sentido”, disse Celina Rodrigues.

Foi muito trabalho, mas valeu a pena…

A (Misericórdia do Vale de Besteiros), “é uma instituição que se pauta pelo trabalho espelhado na actividade que hoje vamos apresentar às crianças, aquilo que a equipa realizou com os idosos, planeou e construiu para os meninos. Os meninos costumam arrancar os sorrisos aos idosos, hoje, os idosos vão arrancar os sorrisos aos meninos. E esta é, de facto, a melhor mensagem para hoje e para sempre”.

Celina Rodrigues teve ainda oportunidade de referir “o orgulho que tenho nas pessoas com quem trabalho, todos os colegas e o trabalho de equipa das educadoras de infância, que são também excepcionais e estão sempre presentes nas actividades que organizam para os idosos. Um agradecimento muito grande e o meu orgulho por esta equipa”.

  • PROVEDOR QUEIXA-SE DOS CORTES DA SEGURANÇA SOCIAL
  • DE QUEM ESPERA REPOSIÇÃO
Meneses, Celina e prof. Isaías

Instado a pronunciar-se sobre a vida financeira da Misericórdia, a contas com imensas despesas, o provedor, Fernando Meneses deu ênfase às múltiplas actividades da instituição ao longo do ano, seja em relação às crianças da creche, seja em relação aos jovens em risco, onde existem alguns constrangimentos financeiros que, segundo disse, “já vêm de longe”.

Fernando Meneses, reiterou que “as contas da Misericórdia não estão bem. Eu volto a reafirmar que esta casa, uma Misericórdia jovem, que tem pouco mais de 40 anos, começou com 6 funcionários, tendo alturas em que pode ter 80, 90 ou 100. Agora, é evidente que nós, nunca pedimos um tostão a ninguém para ter, no dia 30 de cada mês, as contas todas em dia”, sublinhou.

No entanto, para o provedor, tudo se vai complicando, pois a Mesa não está a conseguir, actualmente, equilibrar as contas, devido aos cortes substanciais da Segurança Social à Misericórdia.

As artistas do “Cantinho de Natal”

“E por quê?”, explicou: “Porque temos a Segurança Social que nos faz cortes sucessivos. Temos um corte que nos foi feito a partir de 2018 em Dezembro, de 6.000,00 euros por mês”. Até Agosto passado (2019), foram já cerca de 50.000 euros que não entraram nos cofres da instituição.

A Misericórdia solicitou, já, o seu pagamento retroactivo, que deveria ter sido pago na última semana de Novembro e a Segurança Social falhou a sua liquidação. Nesta contingência, a instituição mais não pode fazer do que pagar o subsídio de Natal aos seus funcionários e colaboradores em três prestações.

Fernando Meneses asseverou que a equipa de pessoal “é extraordinária” e as pessoas que estão à sua frente são sempre as mesmas.

“Andamos aqui há mais de 48 anos e ninguém aparece, apesar das assembleias gerais. De 24 elementos dos corpos sociais, aparecem apenas 18”. Se de um momento para o outro se demitirem não há ninguém para continuar a obra. De qualquer modo, Fernando Meneses deixou claro que “só faz falta quem cá está”.

Tanto ele como o prof. Isaías não são tondelenses como disse, mas hoje, Fernando Meneses diz que “sou mais tondelense do que vouzelense, mas custa-nos abandonar esta casa e abandonar diversas pessoas que tenho aqui na organização e seus colaboradores”, que são como uma autêntica família.

NÚMEROS

  • Lar, 30 idosos; Centro de Dia, cerca de 20; Apoio domiciliário, entre 45 e 70; Creche, cerca de 20 crianças e jardim-de-infância, 13.
  • Apoia 32 jovens no “Convívio Jovem”. Destes, existem três licenciaturas, um mestrado e três na faculdade.