NACIONALISMOS, POPULISMOS, TRADICIONALISMOS E OUTROS ISMOS

Assistimos, horrorizados, ao retrocesso civilizacional do reerguer das barreiras que, a pouco e pouco, políticos de grande visão vinham derrubando para harmonia e emancipação dos Povos, para salvaguarda dos direitos humanos, para mais qualidade de vida para todos, mais atenção ao outro, tendo em conta que só existe uma raça humana.

Infelizmente, políticos sem escrúpulos, ambiciosos de um poder a todo o custo, voltam a apregoar o reerguer dos muros, do ódio às diferenças, a defesa intransigente dos detalhes elevando-as a causas de todos os males. Todos os seres humanos têm o direito de escolher e cultivar a sua religião, a sua cultura, o seu modo de viver, num mundo que é de todos e que chega para todos, quando os fabricantes e os comerciantes de armas, de ódios e de ganância pararem com os seus crimes e deixarem as pessoas entenderem-se.

A prova de que é possível vivermos juntos e de que há lugar no mundo para todos é que, durante décadas, a Europa parou com os costumados conflitos, encontrou formas de desenvolvimento comum, derrubou fronteiras e muros artificiais. Infelizmente, os populismos alimentados por ambições disfarçadas de nacionalismos, tradicionalismos e outros ismos inconfessáveis regressam aos divisionismos, ressuscitam perigosamente os fantasmas de um passado caótico de milhões de mortos e de toneladas de sofrimento.

  • ESTÁ NA MODA A PERSEGUIÇÃO
  • AOS EMIGRANTES

Está na moda a perseguição aos emigrantes. Ninguém se interroga acerca dos motivos que levam essas pessoas a saírem dos seus países e a procurarem oportunidades de vida que lhes recusam nas suas terras. Os emigrantes fogem dos horrores de guerras que os fabricantes de armas e de ódios fomentam para venderem as suas mercadorias. Os que os rejeitam são os mesmos que criam as condições que os expulsam de suas casas.

É a hipocrisia elevada ao máximo, por exemplo, ouvir o sr. Trump gritar contra os emigrantes, ignorando que os Estados Unidos são um produto de emigrantes. Foram eles que construíram aquele país de sucesso. E, aqui para nós, que ninguém nos ouve, quantas armas, aviões e outros instrumentos de destruição vendem os amigos do Sr. Trump aos provocadores das ondas de emigração?

A sabedoria ensina que cada comunidade tem características próprias que o tempo e a vida foram consolidando. Nada contra isso. Mas tudo contra a ideia de que são inamovíveis e que devem cultivar-se para sempre. São as tais tradições que alguns transformam em dogmas, com um único objectivo inconfessável: não perderem as regalias, sobretudo o poder, que essas tradições lhes dão, como guardiões das ditas. Só que a vida rola imparavelmente e, a todo o momento, vai mostrando que tudo passa, nada fica na mesma. O que ontem era verdade, hoje é mentira. A experiência mostra como há tradições que matam.

Em África, e não só, pois estes problemas existem a nível mundial, com mais máscara ou menos máscara, quantas raparigas morrem de partos prematuros e da prática de abortos? Quantas vêem as portas do futuro implacavelmente fechadas por motivo dos casamentos contratados pelos pais, quantas escravas trabalham a terra com um filho às costas, outro ali perto, à espera da mama e, tantas vezes, outro já na barriga?

  • QUANTAS VEZES A INVEJA VAI
  • ROENDO OS SONHOS…

A mulher não diz não, ensinam as velhas. Quantas vezes a inveja vai roendo os sonhos, queimando casas, destruindo culturas? E as queimadas? E o tipo de alimentação? E, quantas vezes, com a água a correr por perto, se deixam as terras incultas à espera das primeiras chuvas? E os empregos? E as oportunidades que se fecham por motivos religiosos, culturais, étnicos, cor da pele? E quantas mortes, misérias e horrores nascem dos estúpidos feitiços, outra arma de poder e de sujeição repugnante e humilhante. Com esta arma nascida da estupidez e da crendice se paralisa o cérebro e o coração.

Os homens tendem a esquecer que todos somos pessoas. As diferenças são apenas acidentes, circunstâncias ditadas pela geografia, pelo clima, pelo tipo de alimentação, pelas imposições do círculo de ferro que aperta as pessoas desde crianças. Há mais mundo além desse círculo. Temos a obrigação de aproveitar os benefícios que outras civilizações possam trazer-nos.

Há progressos na saúde, na educação, na filosofia, na religião, na maneira de viver que acrescentam qualidade à vida, que preservam a dignidade humana, que ajudam à implementação da liberdade, da tolerância, da alegria, da fraternidade. Ficar parado no tempo, mastigando ignorância, maldade, agressão, exclusão, transforma as pessoas em bichos. É como se fossem minhocas enterradas na terra, sem visibilidade nem visão.

  • LUTAR PELA IGUALDADE, PELA LIBERDADE,
  • PELA FRATERNIDADE

Não sejam bichos, sejam gente. Libertem-se! Só há uma raça – a raça humana. É dever de todos, tudo fazermos, para a dignificarmos, para lutarmos pela igualdade, pela liberdade, pela fraternidade. Todos temos direito a uma vida com mais qualidade. Isso exige uma luta corajosa para derrubar, em cada círculo comunitário, as barreiras circunstanciais que nos diferenciam e enaltecermos aquilo a que, como seres humanos, temos direito.

Não defendamos as diferenças circunstanciais, mas apostemos numa educação de qualidade para todos, empregos e oportunidades de trabalho sem discriminação de nenhuma natureza, acesso igual à justiça, direitos e deveres iguais para todos.

LEONEL MARCELINO

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


Traduzir »