No dia 26 de Novembro, numa jornada da máxima importância económica e social e muito bem conseguida pelo semanário “Expresso” com a parceria do Município, foi realizada no “Mercado Velho”, em Tondela, uma conferência subordinada ao tema “As regiões de baixa densidade – uma oportunidade de desenvolvimento”.
Na sua intervenção de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Tondela, José António de Jesus, teve a oportunidade de destacar que, “embora a actividade económica esteja na esfera dos investidores e empreendedores, cabe às autarquias agilizar procedimentos, gerar confiança, criar instrumentos e planos que proporcionem mais oportunidades de investimento”.
- PRINCIPAL CENTRO DE PRODUÇÃO
- DA REGIÃO
No seu bem elaborado discurso, o autarca sublinhou que “o concelho de Tondela é hoje um dos principais centros de produção da região, especialmente no sector do automóvel, que emprega actualmente cerca de 2.100 trabalhadores”.
“De forma contínua e permanente, aumentam os postos de trabalho no concelho de Tondela, seja no sector automóvel, seja em outros, como o farmacêutico e o agro-alimentar”, referiu.
O presidente da Câmara Municipal de Tondela, perante uma “casa cheia”, aproveitou ainda para apontar a necessidade de se investir em políticas sociais amigas da natalidade, capazes de conciliar a vida familiar com a realização profissional, flexibilizar o tempo de trabalho, defendendo alterações no código do trabalho.
O discurso de José António de Jesus, ao contrário de tantos outros autarcas que apregoam o miserabilismo das suas regiões, foi eivado de conceitos positivos de políticas de desenvolvimento e de bem-estar, que os restantes oradores muito apreciaram e elogiaram, pois eles cativam os investidores e incentivam à criação de riqueza, lembrando, ainda, o boom da construção civil e a fixação de pessoas, através do emprego e da aquisição de casa própria.
LIGAÇÃO DO LAJEDO AO IP3 EM TONDELA
O autarca voltou a referir que, depois da expansão da Zona Industrial do Lajedo, a autarquia irá “prosseguir com a requalificação da ligação desta importante área de acolhimento empresarial, avançando com o estudo da sua nova e futura ligação alternativa que permita melhor acessibilidade e segurança, pela Ribeira (Campo de Besteiros) e Raposeiras (Molelos), garantindo ligação ao IP3”.
Mesmo sabendo que o planeamento da obra não será rápida nem fácil de fazer, deixou claro que “estamos determinados nesse grande passo para a aproximação das ligações a esta Zona Industrial, para o que se impõe reconhecer que estes investimentos devem ser enquadrados nos instrumentos de apoio comunitário, como sendo necessários para aumentar a competitividade produtiva aqui instalada”.
Ainda no que toca a aposta na expansão das Zonas Industriais, José António de Jesus destacou o plano de investimento na ZIM de Tondela/Adiça, “que representa mais de 3 milhões de euros, criando condições para acolher novos projectos e investimentos. Queremos continuar a crescer”.
Na circunstância, serão mais 20 hectares de expansão, além da requalificação que criará mais competitividade e resiliência.
A conferência, que decorreu ao longo de três horas, contou com dois painéis distintos, sendo o primeiro focado nas políticas públicas para territórios de baixa densidade.
DANIEL BESSA PRECONIZA REDUÇÂO DO IRC
Fizeram parte deste primeiro painel o ex-secretário de Estado e coordenador da UTAO Rui Baleiras, o economista e antigo ministro, Daniel Bessa, a administradora do Conselho de Administração da AICEP, Madalena Oliveira e Silva e o professor catedrático do ISEG, João Duque.
Rui Baleiras, considerou que “não há economia sem territórios”. Sendo estes territórios muito diferentes uns dos outros, “torna-se necessário pensar medidas de incentivo diferenciadas”.
Já o economista Daniel Bessa defendeu uma redução da taxa de IRC em concelhos como o de Tondela, que não considera ser um território de baixa densidade e é muito procurado por indústrias.
- TONDELA COM RESPOSTAS RÁPIDAS
- E ASSERTIVAS
A administradora do Conselho de Administração da AICEP, Madalena Oliveira e Silva, alertou para a necessidade de se darem respostas rápidas e assertivas aos investidores, sendo papel das autarquias funcionar como facilitador neste processo, uma vez que é conhecedor do território. “Tondela tem feito isso”, acrescentou.
Também João Duque, evidenciou a necessidade de políticas públicas e estratégias, desenvolvidas com lógica e coerência, para criar atractividade nas regiões de baixa densidade.
O segundo painel foi composto por CEO’s de indústrias com sede no concelho de Tondela, que trouxeram ao encontro uma perspectiva empresarial de quem optou por se localizar no interior.
Fizeram parte desta mesa, o CEO da Eberspaecher, Clifton Levack; a CEO da Labesfal, Cristina Fernandes, o administrador da Interecycling, Ricardo Vidal; e administrador da Controlvet – ALS e presidente da AIRV, João Cotta, sendo os dois painéis moderados pelo director do Expresso, João Vieira Pereira.
O encerramento da conferência esteve a cargo da secretária de Estado da Valorização do Interior, chegada momentos antes, Isabel Ferreira, que considerou “ser essencial perceber que as especificidades de cada território, o seu conjunto de condições únicas e exclusivas, devem ser encarados como factores de diferenciação positiva, e agentes catalisadores de processos de valorização do interior”.















