ZÉ BEIRÃO * FORÇAS DE SEGURANÇA: o prestígio perdido

O Comandante-Geral da Guarda Nacional Republicana, Tenente-general Rui Clero, esteve, na quinta-feira, 22 de Outubro, em Viseu, onde conferiu posse ao novo Comandante do Comando Territorial da GNR do distrito, Tenente-coronel Vitor Assunção.

O novo comandante é natural de Lalim, concelho de Lamego, contando apenas 53 anos de idade, sendo mestre em Ciências Militares, na especialidade Segurança (GNR), pela Academia Militar, Mestre em Direito e Segurança, pela Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, Licenciado em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e possui uma pós-graduação em Estudos Avançados em Direito e Segurança, pela Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.

Ingressou no quadro permanente da Guarda Nacional Republicana em 1992, tendo desempenhado diversas funções ao longo da sua carreira profissional, contando com vários louvores e condecorações, na sua folha de serviço.

Esta é a notícia pura e simples, sem “floriados”. Agora, o meu comentário.

A notícia deixa-nos, a nós, tondelenses, que muito amamos a nossa Terra e o nosso concelho, com uma pontinha de frustração, pois ali se diz que o Comando Territorial de Viseu é responsável pelo cumprimento da missão da Guarda em todo o distrito, tendo a seu cargo uma área de policiamento com um total de 4 879,30 km2 e a responsabilidade da segurança de 325.1645 habitantes. Integra um Destacamento de Intervenção, um Destacamento de Trânsito e cinco Destacamentos Territoriais (o negrito é nosso), designadamente: Lamego, Mangualde, Moimenta da Beira, Santa Comba Dão e Viseu, dispondo, cada um deles, de vários Postos Territoriais, num total de 30.

Perguntarão os leitores: “onde está a frustração?” Eu respondo.

O vasto concelho de Tondela, composto de serra (Serra do Caramulo) e de vale (Vale de Besteiros), com 26 freguesias, algumas hoje agrupadas entre si, com uma área de 370 km2, com, sensivelmente, 30.000 habitantes, está, humildemente, entre aqueles 30 postos territoriais, sob a alçada de um dos cinco Destacamentos Territoriais, no caso vertente, o de Santa Comba Dão.

  • POSTO DA GNR DE TONDELA EQUIPARADO A POSTO DE QUALQUER FREGUESIA SERTANEJA

Tondela, com todo o seu peso actual, de super-concelho, em todos os domínios, está equiparado a qualquer posto de uma pequena vila ou aldeia de pouco peso demográfico. E, desgraçadamente, a política atirou a zona serrana do Caramulo para as calendas gregas, pois, não obstante possuir um digno quartel próprio, não dispõe, hoje, de efectivos militares que se baste a si própria.

Aqui é que “dói”. Tondela sempre teve grande preponderância no que concerne às forças de segurança. No passado, no século XIX, tinha as famosas companhias de ordenanças e o célebre Regimento de Milícias de Tondela. Possuiu um corpo de Polícia adstrito à Administração do Concelho, que garantia a Lei e a Ordem em toda a região de Besteiros, de cujo concelho foi sede, já desde os finais do século XVII.

  • TONDELA TEVE SECÇÃO, DESVIADA NA ALTURA DA DITADURA

Possuía, mais tarde, depois do triunfo da República, uma secção da GNR, com cavalaria, cujo primeiro comandante foi o Tenente José João da Cruz Pereira que, em 1923, teria sido investido do cargo, honroso, de 1.º comandante da Associação dos Bombeiros Voluntários de Tondela, fundada em 1923. Tal secção, na vigência do Estado Novo, foi desviada para Santa Comba, ficando Tondela reduzida a simples posto territorial.

Depois, veio a esquadra da PSP, que teve honras, ao fim de muitos anos em casas emprestadas, de ter uma casa própria que um ministro do Interior, com a ajuda da autarquia, haveria de extinguir nos anos 90 do século findo.

Já antes, na inauguração do novo quartel dos Bombeiros, em 1984, face à falta de instalações condignas da GNR, também em casas emprestadas, um outro ministro de um governo socialista (Eduardo Pereira), teria incentivado o Presidente do Município de então, a fazer, ele próprio, a corrida dos “100 metros”, para que fosse comprado um terreno e se elaborasse, rapidamente, o projecto de um quartel com toda a dignidade.

O terreno foi adquirido, no Alto do Pendão, com alguma lentidão e o projecto nunca se viu em lado nenhum, nem se falou mais na necessidade de construir esse bendito quartel.

  • PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS EM TERMOS DE EFECTIVOS
TONDELA: Esquadra da PSP virou GNR

Com o “apagar” da esquadra da PSP, na cidade, que passou a ser ocupada pela GNR, prometeu-se, em vão, uma grande quantidade de guardas, não só para a sede do concelho, mas também para os seus postos de Campo de Besteiros e do Caramulo, mesmo que um terceiro posto fosse criado na Lajeosa do Dão, nunca instalado.

Com todos os guardas prometidos, imensos, Tondela, concelho, ficaria bem policiado, com três postos, suficientes para que, só por si, se constituísse num Destacamento, cuja área suplanta, em muitos quilómetros, o de Santa Comba, que engloba três concelhos, tanto mais que a zona da Serra do Caramulo, é muito vasta, com distâncias que ultrapassam os 40 quilómetros da sede do concelho.

  • TONDELA DÁ PÃO, MAS NEGAM-LHE A RAZÃO !

É claro, que não nos move qualquer má vontade para com o Destacamento vizinho, mas Tondela, à luz do seu mais pleno desenvolvimento em toda a região, com três zonas industriais, sempre em expansão e a dar emprego a gentes de vários concelhos, merecia muito mais e melhor e não estar sob a alçada de pequenos territórios de menor densidade populacional.

Tondela dá pão, mas negam-lhe a razão!

Tondela, hoje, é sede, para 19 concelhos, da Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão, para recolha selectiva de lixos, é sede da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, para 14 concelhos e sede da empresa intermunicipal Águas do Planalto, que fornece água a cinco concelhos, com um Hospital a nível regional e até com um clube de Futebol na I Liga, além de todo o resto que seria fastidioso enumerar.

É caso para perguntar: Onde está a força das gentes de um concelho que se salienta em toda a região, que sabe criar riqueza e bem-estar? Onde estão os nossos políticos? E onde estão tantos outros com grandes responsabilidades no destino regional de relevo que Tondela marca, como charneira de progresso e modernidade em toda a zona sul do distrito?

Para quando o retorno da importância que Tondela teve em termos de forças de segurança? Para

 quando a criação do Destacamento Territorial de Tondela, com os seus três postos, reactivando. naturalmente, o da Vila do Caramulo, que tem um quartel novo às “moscas”, sem efectivos?

Responda quem souber…

PS: Por outro lado, não será despiciendo deixar a ideia de que os concelhos de Oliveira de Frades e Vouzela, que participam da mesma Serra do Caramulo, se poderiam unir com Tondela para formarem um novo destacamento territorial.

Se estou errado, façam voltar tudo à estaca zero, mantenham os efectivos (minguados) da GNR e devolvam a esquadra da PSP roubada à cidade de Tondela pelo Ministro Dias Loureiro e construam um quartel para a GNR, conforme desejava o Ministro Eduardo Pereira. para o qual o Município adquiriu terreno, que ainda está vazio no Alto do Pendão, com uma situação geográfica privilegiada, com saída rápida para várias estradas.