AO TOM D’ELLA

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TEMPO DE FINADOS E O CEMITÉRIO MUNICIPAL DE TONDELA

O tempo passa, voa e quase nem damos que, de ano para ano, as folhas do calendário vão caindo, sem cessar e, quando damos por isso, mais um ano passou na caminhada da vida, para uns, na “crista da onda”, os mais jovens, para outros, mais entradotes na idade, sempre com dificuldades acrescidas, fruto dos seus achaques, dos seus enganos e desenganos.

Neste corrupio da vida, entrados no último trimestre do ano, chegam os magustos e as provas de vinho e o S. Simão, que chega pela altura do Dia de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos.

Julgo que, abrandados os problemas do Covid-19 que, apesar de tudo, vai persistindo no nosso mundo, haverá romagem ao Cemitério Municipal, com procissão da Igreja Matriz, como num passado recente, em que as imediações do campo santo se enchem de viaturas de todos os modelos e marcas, saturando a Avenida Dr. Sá Carneiro e outras ruas adjacentes, à falta de um aparcamento no local.

É tempo de lembrar os ente-queridos, aqueles que da lei da morte já se foram libertando. É tempo de colocar uma flor, acender uma vela, balbuciar uma oração. Contudo, quem não teve flores em vida, de que lhe valem na campa fria de onde não mais se regressa.

  • ALARGAMENTO DO CEMITÉRIO

A propósito do Dia de Finados, lembrar que o nosso Cemitério, hoje de cariz Municipal, começou a ser construído nos primórdios do século XX, ou seja, entre 1910 e 1915, sendo adjudicatário das terraplanagens, o cidadão Marcos Gonçalves, da Coelheira e que foi oficial de diligências no Tribunal de Tondela.

O cemitério foi implantado no sítio da Enforcadiça, no início do bairro altaneiro do Alto do Pendão, se calhar, à falta de melhor lugar nessa altura, tanto mais que, nos dias que correm, ninguém tem dúvidas de que o local foi mal escolhido, por ser o miradouro mais importante da actual cidade, para onde a urbe se poderia expandir, embora, em certa medida, isso seja ainda possível nas imediações, construídas que sejam as novas vias envolventes, a ligar com a Avenida das Comunidades e com a Avenida Sá Carneiro.

Em mais de 110 anos, o cemitério foi ampliado uma única vez, ampliação, aliás, que seria insuficiente, pois em pouco mais de duas décadas, quase não há lugar para enterramentos, porque os talhões e os covatos se esgotaram e as situações vão sendo resolvidas com campas abandonadas, o que é insuficiente.

Na parte aumentada, mal aproveitada, a venda de lugares de enterramento foi há muito suspensa e, como não tem havido espaços disponíveis, o Município vai fazendo novos enterramentos, dentro dos prazos previstos, com as ossadas a terem que sofrer remoção para os ossários embutidos nas paredes da capela, o que causa uma certa angústia aos familiares de quem esses despojos humanos pertenciam.

Por outro lado, sabe-se que muitas pessoas compraram vários covatos e que, mesmo que sejam passados 20 anos, não registaram qualquer enterramento, situação que deveria preocupar o Município.

É tempo, pois, de se dar início ao novo alargamento do cemitério, como está projectado, há anos e que, de alguma forma, se acabem com estes constrangimentos e que, finalmente, os interessados possam adquirir o lugar onde, naturalmente, deverão repousar, sem terem de passar pela exumação das ossadas.

Já agora, dizer que o Cemitério Municipal de Tondela comporta, actualmente, 32 jazigos de família, para além dos jazigos subterrâneos, muitos deles já sem qualquer possibilidade de receberem novos corpos, porque as famílias já desapareceram.

  • RUA DO CAMPO SANTO

Vem a talho de foice referir que vai demorando a ultimação dos trabalhos da requalificação da Rua do Cemitério, cujo nome melhor seria se fosse Rua do Campo Santo, mais agradável para os moradores do novo edifício “Prestige”.

Falta concluir passeios e piso e rever a iluminação pública, pois, além do mais, ainda há armários da luz, postes de cimento e outros a estorvar o estacionamento de quem já ali mora.

Além disso, está uma passadeira, por ali perto, em frente à Garagem Santa Maria, que foi esventrada, por ter sido necessário fazê-lo, onde foram colocados artefactos de cimento, que ecoam à passagem das viaturas. 

Julgo que tudo chegará a bom porto, com o alargamento do cemitério e a implantação das duas novas vias, uma das quais tem avançado, embora paulatinamente, junto ao Estádio e que, como a outra, ligarão à rotunda poente da Avenida das Comunidades, no local onde existia o caminho público do Alto do Pendão para o Carvalhal, passando pela antiga Quinta do Carivelho, que foi da família dos antigos directores da “Folha de Tondela”.

Por hoje, é tudo… os assuntos não foram agradáveis, mas para o jornalista não há assuntos agradáveis e desagradáveis. Há assuntos, simplesmente, que merecem ser tratados como qualquer outro de cariz mais alegre…

E, para alegrar um pouco, dizer que é tempo de castanhas, jeropiga e vinho novo e, também, dia e festa de S. Simão, nalgumas das aldeias do nosso Concelho.