NOS 25 ANOS DO MONUMENTO AO EMIGRANTE município abre as portas a quem se queira fixar em Tondela

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ZÉ BEIRÃO – Inaugurada em 14 de Agosto de 1994, sob alguma contestação de certas pessoas emigradas, o monumento ao Emigrante, ficou a perpetuar, na sede do concelho, a homenagem àqueles que partiram em busca de melhores condições de vida.

Eram tempos difíceis, em que quase tudo faltava às famílias, para o governo de suas casas e da constituição das suas famílias, com dignidade e sustentabilidade, pois os empregos eram escassos e urgia emigrar, situação que, à distância de 25 anos, se alterou para muito melhor, uma vez que o território de Tondela, apresenta-se cada vez mais atractivo, capaz de proporcionar elevados níveis de vida nos mais variados sectores da economia.

O PRAZER DE UMA JOVEM CIDADE EM CRESCIMENTO

Hoje, há emprego, há serviços, há oportunidades de negócios, com a habitação a dar um novo salto para alojar quem escolhe, hoje, vir trabalhar para Tondela e desfrutar o prazer de uma nova e jovem cidade em crescimento e mais crescerá, quanto mais as pessoas e a autarquia se irmanarem nesse processo de um novo impulso desse crescimento, de molde a atrair mais pessoas, outras gentes, sejam elas da região, do país, ou do estrangeiro, emigrantes ou não.

Na manhã de 11 de Agosto, o largo do Monumento ao Emigrante, foi o palco escolhido para se reuniram os emigrantes com os autarcas e as forças vivas da cidade, no sentido de serem comemorados os 25 anos da estátua, concebida pelo saudoso escultor Luz Correia e pelo professor Joaquim Machado, além de que o autor deste trabalho de reportagem, igualmente e anonimamente, deu algum contributo, com a sugestão da colocação do homem como figura central, uma vez que, nos primeiros ensaios da estátua, não constar. Na altura, eu teria dito: “Falta aí um homem a caminhar no desconhecido”.  

Deste modo, marcaram presença, o presidente da Câmara Municipal de Tondela, José António de Jesus,

o representante da Assembleia Municipal, Sérgio Rodrigues, Felisberto Figueiredo, que era o vereador da Cultura na altura, o presidente da Casa de Tondela em Newark (New Jersey), Manuel Viegas, o antigo deputado por Viseu, eleito pelo círculo da Emigração na altura, José Cesário, o presidente da Junta de Freguesia de Tondela e Nandufe, Francisco Coutinho e outros presidentes de freguesias do concelho e ainda o presidente da Casa do Concelho de Tondela em Lisboa, Elísio Chaves.  

PARTIR NU DE PRECONCEITOS

As primeiras palavras, foram proferidas pelo actual vereador da Cultura, Miguel Torres, seguindo-se Felisberto Figueiredo, que leu um vibrante discurso, que teve o condão de desmontar a ideia de que o monumento não era aquilo que as pessoas, eventualmente, dissessem dele, mas sim, uma obra escultórica de grande significado, pois nela estava personificada a vontade e o querer do homem tondelense que, partindo nu de preconceitos, ia a caminho do desconhecido, daquilo que, de mau ou de bom, pudesse encontrar, na realização do seu sonho de vida melhor, à conta, naturalmente, de imensos sacrifícios, privações e canseiras.

Por seu turno, Manuel Viegas, o grande mentor da ideia da erecção deste monumento, teceu algumas considerações sobre os passos dados no sentido de angariar verbas que, de alguma forma, ajudassem na concretização dessa ânsia de ver o emigrante como alguém que ajudou o seu país e a sua terra a serem melhores do que aquilo que eram.

Manuel Viegas salientou, a esse propósito, que “as comunidades portuguesas naturais de Tondela, foram capazes de elevar o nome da cidade e do nosso país” ao longo das décadas, mostrando a sua satisfação e do grupo de tondelenses amigos da Casa de Tondela, que representa, por sempre terem apoiado as instituições da cidade e do concelho, não esquecendo a oferta de muitos milhares de dólares a favor das vítimas dos incêndios de 2017.

  • A OBRA SIMBOLIZA AQUELES QUE SE
  • DISPÕEM AO MUNDO

O presidente do Município, encerrando os discursos, referiu o entusiasmo com que os presentes ouviram o relato histórico proferido por Felisberto Figueiredo e aquilo que “é a credibilidade desta obra”. Para si, ela não simboliza uma época, não simboliza um estado de emigração, “simboliza todos aqueles que nos dispomos ao mundo e que, por força da busca de melhores condições de trabalho, ou eventualmente, de contacto com outros povos, nos abrimos a esta descoberta, a esta partilha, a este ir e voltar, a este renascer”.

Mas também referiu que, em boa verdade, “o Man Viegas representa e simboliza, como aqui bem foi retratado, este espírito de alguém que nunca perde a ligação em todos vós, àquilo que são as nossas terras. Nós podemos ir, podemos estar, podemos construir, podemos renovar, mas isso não deve ser sinónimo de cortar nenhuma das nossas raízes, nenhuma da nossa identidade, nenhuma da nossa firmeza, da ligação ao nosso país”.

“Isso que aconteceu há cinco, seis décadas atrás, com muitos de vós, hoje continua acontecer e continuará sempre a acontecer no futuro. Nós vivemos, em particular, numa Europa sem fronteiras e por essa mesma razão, a nossa única fronteira, é a fronteira da nossa vontade. É a fronteira do nosso querer, ou a fronteira da nossa descoberta, mas nunca deve ser sinónimo de baixar aquilo que é a ligação à nossa comunidade. E há 25 anos atrás, certamente que era este o propósito desta estátua, este símbolo, esta marca, uma marca em que todos nos olhamos e em que nos reflectimos em alguém que, à procura do seu mundo, parte, mas regressa”, sublinhou.

COMUNIDADES TONDELENSES, SINÓNIMO DE GRANDE DINAMISMO

Emigrantes da América

Naturalmente que tudo o que é criativo, rico, para José António de Jesus, “é sempre sujeito á crítica. Sempre assim foi, sempre assim será, o importante é sabermos se passada essa turbulência momentânea, temos ou não, à nossa frente, algo com que nos identifique e indiscutivelmente, todos nos sentimos não só hoje, mas seguramente há muitos anos atrás, que esta marca, que este símbolo, que este monumento nos identifica e é uma referência de Tondela e, naturalmente, do nosso mundo, do nosso país”.

Era esse o propósito que a todos levou, naquele dia, “a agregarmo-nos aqui hoje, para evocar a emigração nas suas múltiplas dimensões, com os semantismos que lhe possamos associar, mas nunca deixando de valorizar as comunidades tondelenses que se espalham pelo mundo. Esse é o propósito que também aqui nos traz, valorizar as comunidades tondelenses, porque são sinónimo de grande dinamismo e de grande capacidade empreendedora que o nosso concelho continua a precisar de todos e cada um de vós”, quis deixar claro o autarca.

Com certeza, que não era “pela circunstância de estarem algum tempo fora do nosso país, que são menos merecedores do nosso respeito, pelo contrário e o nosso concelho precisa de vós e dos vossos filhos. Hoje, precisamos de atrair mais gente para a oferta de qualidade em áreas sectoriais muito importantes para a economia do país e para a economia global”, desafiou.

Foi lembrado que, no concelho, estão localizadas algumas das principais empresas do país, no sector automóvel, do sector farmacêutico e na área de laboratórios de análises. “É uma oportunidade que se abre, também, para acolhermos todos os que para aqui vêm trabalhar e, naturalmente que, quem como nós, sempre foi à procura do mundo, não deixará de estar de braços abertos para acolher aqueles que connosco querem ajudar a construir, a crescer e a fortificar este nosso concelho”, concluiu.

PRAÇA DO EMIGRANTE

No final das palavras de José António de Jesus, Manuel Viegas deixou o repto para que, àquele largo, seja dado o nome de “Rotunda do Emigrante”, que alguém quis “emendar” para “Praça do Emigrante”. Praça do Emigrante, sempre fica melhor…

Finalmente, uma ideia que frutifica e que vem de encontro àquilo que o jornalista teria sugerido há um ano ao actual presidente do Município e que, por qualquer motivo, não teria sido contemplado nesta cerimónia.

E, já agora, que reponha a data da inauguração do monumento, destruída e que foi a de 14-8-1994.

“PONHA LÁ O HOMEM” – Já agora, ainda como nota de reportagem, dizer que Zé Beirão, igualmente e anonimamente, deu algum contributo, com a sugestão da colocação do homem como figura central, uma vez que, nos primeiros ensaios, ou esboços da estátua, não constar. Na altura, Zé Beirão teria dito: “Falta aí um homem a caminhar no desconhecido”. E, assim, a estátua ficou mais bela e completa. Também os plintos, representando as 26 freguesias do concelho, foi ideia sua, mas, neste caso, faltaram os nomes das freguesias na ordem decrescente do seu número de eleitores e aqui não se sabe por quê. Seria porque uma das freguesias com influência na política, ficaria ao “meio da tabela”? 

FESTIVAL DE  FOLCLORE

O Dia do Emigrante não ficou por aqui, pois, como estava programado, foi realizado no Parque Urbano, um festival de folclore concelhio, integrado no programa das Festas da Mata, com os grupos Velhos Costumes de Molelos, As Capuchas, de S. João do Monte, o Rancho Boa União, de Santa Ovaia de Baixo, o Rancho Infantil de Castelões e o Rancho de Parada de Gonta. 

Todas as actuações agradaram plenamente, pelo que receberam, justamente, os maiores aplausos das muitas centenas de pessoas presentes no recinto da “velha Mata”, um local mágico que, transversalmente, é saudoso a imensas gerações de tondelenses.