INCÊNDIOS FLORESTAIS: a solução está em medidas drásticas

ZÉ BEIRÃO  –  Todos os anos, é a mesma coisa. As matas ardem, o ambiente sofre, há destruição do património edificado e perdem-se vidas humanas, como aconteceu em 2017.

Todos os anos, se fala nos mesmos problemas, na falta de planeamento, caminhos florestais, falta de acessos e meios, falta de descontinuidade de culturas e por aí fora. Contudo, o fogo vem lavrando, nesta ou naquela região, com grande virulência e, muitas vezes, incontrolável, devido aos ventos fortes que, nessas alturas, sempre aparecem.

Todos os anos se fala em mãos criminosas que ateiam as chamas, mesmo na proximidade das aldeias, cidades e vilas. As autoridades colocam-se em campo e, a maior parte das vezes, encontram os culpados, que levam aos bancos dos tribunais, uns, dados como inimputáveis, outros, que são soltos, de imediato, pelos juízes, por falta de provas.

É claro que as temperaturas elevadas e os ventos fortes, ajudam na propagação rápida das chamas, como foram os casos dos incêndios de 2017 e, agora, este fim-de-semana (20 e 21 de Julho), nos distritos de Castelo Branco e de Santarém.

Contudo, vamo-nos esquecendo de reconhecer que o melhor combate é a prevenção e essa tem estado muito a “leste” das zonas de risco e das grandes manchas florestais. Gastam-se rios de dinheiro no combate ao fogo que, vendo bem as coisas, praticamente seria evitado se, a tempo e horas, ao nível de cada Município, se apostasse, com mais eficácia, na limpeza dos matos nas imediações das habitações, na beira das estradas e das ruas e dos povoados e das árvores que, decididamente, são autênticas infestantes, como é o caso dos eucaliptos, das mimosas e austrálias, que crescem abundantemente, por tudo quanto são pinhais e eucaliptais e, mesmo a cair em cima das estradas.

  • NÃO SE APRENDE COM AS TRAGÉDIAS
  • E OS ERROS 

Junho e Outubro de 2017, foram meses terríveis para o interior do país, não só nas zonas de Pedrógão Grande e concelhos vizinhos, mas também por toda a região centro, em que morreram mais de uma centena de pessoas.

Gastaram-se fortunas em reconstrução de casas, indemnizações, nos meios de combate e não se gastaram as verbas necessárias para acabar, de uma vez por todas, com grandes manchas de eucaliptos nas proximidades das populações. Arderam milhares de hectares de eucaliptais, mas as sementes, que os ventos espalharam pelas redondezas, pegaram de raiz e fizeram surgir, com maior profusão, autênticas searas de verdejantes e tenros eucaliptos, prontos a serem, mais uma vez, consumidos pelas chamas, que alguém ateia, ou por maluqueira, ou por malvadez, ou mesmo por política. Não se aprende com os erros passados.

Oh, senhores, acabem, de vez, com o eucalipto, enquanto o eucalipto não acaba com a gente…  

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