Como acontece todos os anos, em Janeiro, o ainda jovem clube rotário, que completa 16 anos de existência no próximo dia 16 de Março, presta tributo a mais uma figura de prestígio e de merecimento, no mundo profissional e empresarial e já são 16 os homenageados.
Para o fazer, escolheu o ambiente acolhedor do categorizado restaurante típico “Três Pipos”, onde marcaram presença os clubes rotários de Viseu, Mangualde, Curia/Bairrada, Águeda, Sever do Vouga e, claro, o clube anfitrião.
A praxe de mais um dia de trabalho, começou com a intervenção de Filomena Matos, do protocolo, com palavras destinadas a bem predispor os presentes para os momentos marcantes da sessão, com a degustação de um magnífico repasto regado com excelentes néctares do Dão, depois que foi feita a saudação às bandeiras, com o past-governador do Distrito Rotário, António Pais Madeira, o presidente da Câmara Municipal de Tondela, José António de Jesus e o homenageado de 2020.
No momento azado, usaram da palavra vários oradores, nomeadamente, Felisberto Figueiredo, na qualidade de secretário do RCT, o presidente do Rotary Clube de Viseu, Abel Figueiredo, Marina Leitão, João Cotta, o presidente do Município e o presidente do clube, Tito Almiro.
- JOÃO REBELO COTTA TRANSFORMOU SONHOS EM REALIDADES
Felisberto Figueiredo, focado no perfil do homenageado, destacou o seu percurso de vida “somando êxitos, pela persistência com que enfrenta desafios e pela determinação com que persegue sonhos”.
João Cotta, agora com 57 anos, nasceu em Benguela, onde os seus pais eram professores, tendo vindo com 12 anos para Portugal onde, em Viseu, passou a sua adolescência, terra natal do pai e onde o avô era proprietário da famosa Camisaria Rebelo e lá fez o 5.º ano.
Em Lisboa, acabou os estudos liceais e fez o curso de Medicina Veterinária, não tendo qualquer dificuldade em arranjar emprego, pois o próprio avô, através de um outro amigo de João Lacerda, o dono da Garagem Lopes, conseguiu-lhe uma boa colocação como veterinário dos aviários do Caramulo, em 1985.
O sonhador, esteve 14 anos na serra, mas nos últimos quatro já bailava na sua cabeça o desejo der ter uma empresa sua. Com 30 anos, atingiu o cargo de director técnico dos aviários do Grupo Nutroton, mas desejava ir mais além.
Como lembrou Felisberto Figueiredo, perante a tendência forte para o reforço do controlo de segurança alimentar, o Dr. João Rebelo Cotta, com 37 anos e três filhos, criou a Contolvet, em Tondela, em parceria com dois sócios, também veterinários.
Foram investidos 500.000 mil euros num laboratório para análises de produtos alimentares e de certificação de qualidade, tanto da origem, como do próprio ambiente onde são produzidos, transformados e conservados.
Demonstrando a sua fibra, João Cotta internacionalizou a sua empresa, criando uma pequena multinacional com mais de 100 trabalhadores, entre Tondela, Madrid, Poznan, Nampula e Luanda, com uma carteira de clientes de luxo, nomeadamente, Continente, Pingo Doce e Ibersol e uma facturação de vários milhões de euros.
- NOVOS CAMINHOS DO FUTURO
João Cotta, segundo o orador, não deixa de sonhar e tem ambição de que o Instituto Politécnico de Viseu possa transformar-se em Universidade Politécnica de Ciências Aplicadas, enveredando pela investigação de ponta e pela inovação, o melhor caminho para garantir passos firmes em direcção ao futuro, para colocar o distrito e o país nos patamares cimeiros do desenvolvimento.
Ele acredita e sabe, por experiência, que a formação e a investigação, inovando sempre, são caminhos do futuro e a garantia de atrair e fixar no interior as gerações mais novas.
“É a sua veia de sinaleiro, apontando caminhos”, como disse Felisberto Figueiredo, lembrando o dilema que teve João Cotta, quando ainda jovem, de querer ser sinaleiro ou veterinário.
- PERCURSO EMPRESARIAL DE SUCESSO
O homenageado sublinhou os traços determinantes da sua carreira no ramo da veterinária, apontando a engenheira Marina, como responsável “pelo bom acolhimento” que teve no Caramulo e, dizendo mover-se por projectos e gostando de construir coisas, como disse, ajudou a criar, em Tondela, uma associação de Pais, o ATL, foi um dos mentores do grupo coral polifónico de Tondela, tendo depois criado a Controlvet em 1999.
No início, a empresa era composta, apenas, por cinco pessoas a trabalhar, com ele incluído e assim foi crescendo, até que, em 2015, como disse, “por questões estratégicas” e devido à pressão dos seus clientes, foi criada uma multinacional, estando em Portugal, Espanha e Polónia e integrou um grupo australiano (ALS) e hoje, só em Portugal, em Tondela, “somos 178 pessoas e, com o apoio da ALS, fomos investindo e comprando outros laboratórios e hoje somos 900 pessoas só na Europa do Sul, Portugal, Espanha, Itália e Turquia e, apesar de ter vendido a empresa ao grupo australiano continuei a ser o director-geral da empresa e com enorme autonomia”.
Na sua ânsia de criar e de intervir activamente nas coisas da região, o homenageado salientou, ainda, uma outra faceta da sua vida, a de dirigente associativo empresarial, tendo servido a AIRV – Associação Industrial da Região de Viseu, onde foi presidente da direcção e presidente da assembleia-geral durante muitos anos, porque, como disse, gosta muito da AIRV, deixando claro que a tinha ajudado a ultrapassar “um momento menos positivo” da sua existência.
Mas João Cotta também gosta da comunicação social, sendo accionista do “Jornal do Centro”, do qual só diz ver o jornal “quando vai para a gráfica”, não metendo “nem colher nem garfo” na linha editorial, como deixou claro.
- EMPREENDEDORES CAPAZES DE INOVAR E DESAFIAR O FUTURO
No uso da palavra, o presidente da Câmara, referindo-se às figuras homenageadas de há 16 anos a esta parte, disse que “esta homenagem não se deve aos valores de facturação que a empresa Controlvet tem, deve-se a um profissional que, para além das suas capacidades enquanto líder, tem outras capacidades, nomeadamente na dimensão humana, hoje, aqui, já tão bem sublinhada”.
O autarca sublinhou “a importância estratégica da área da inovação, do desenvolvimento e da biotecnologia” desenvolvida pela empresa de João Cotta. “Nós, por vezes não temos o distanciamento para valorizar aquilo que fazemos e achamos que só nos grandes centros é que estão os grandes projectos. Podem estar alguns, mas temos no nosso meio projectos que são líderes nacionais e que por vezes quase que temos vergonha de o dizer”, deixou claro José António de Jesus.
“Eu sinto um grande orgulho em ter na nossa região empresas que são líderes nacionais e entre elas, a Controlvet/ALS, que é líder nacional na investigação, no controlo alimentar, segurança alimentar”, que se devia às pessoas que fazem desta instituição, algo que é muito relevante na sociedade. Desta forma o autarca não deixou de sublinhar e até agradecer “a circunstância de termos empreendedores capazes de inovar, de desafiar o futuro e de o querer fazer presente”.
Para o presidente da Câmara, a dimensão do traço humano, de João Cotta, não era apenas “a de um empresário que vive só para a sua empresa, mas também a afectividade e o empenho com as causas sociais e, quando assim é, são a região e a comunidade, é o nosso território que está também nesse pensamento e quando isso é feito sem o propósito imediato de ter um proveito directo, isso sim, faz a diferença nas pessoas”.
“Nós precisamos, cada vez mais, de ter várias pessoas com esta matriz, com este perfil, empreendedores, arrojados, audazes, capazes de fazer, mas capazes de construir, com todos e para todos, uma sociedade que, no último patamar, se pretende que seja mais humana, mais igualitária, mais justa, com mais oportunidades, mas só quando tivermos pessoas capazes de dar de si aos outros e o João é um dador de emoções, de solidariedades e, acima de tudo, de motivações”, concluiu.
ZÉ BEIRÃO
















